A especialista do universo paralelo - para variar, de alguma Federal...

    01/11/2025 21h46 - Atualizado há 1 mês

    A cientista política e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jacqueline Muniz, protagonizou uma das declarações mais absurdas do ano ao afirmar, durante entrevista sobre a megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que “um criminoso com fuzil pode ser facilmente neutralizado até por uma pedra na cabeça”.

    A fala, que parece saída de um roteiro de comédia surreal, ignora completamente a realidade das comunidades dominadas pelo tráfico e o risco enfrentado por policiais e civis. Ao comentar o uso de armamento pesado por criminosos, Muniz ainda afirmou que o fuzil “tem baixo rendimento criminal”, como se fosse apenas um detalhe irrelevante diante da força de uma pedrada bem dada.

    “O criminoso tá com o fuzil na mão, ele é facilmente rendido por uma pistola, até por uma pedra na cabeça. Enquanto ele tá tentando levantar o fuzil e colocar o fuzil pra atirar, alguém joga uma pedra e já derrubou o sujeito”, disse a professora, em tom de quem parece desconhecer o que é estar diante de um confronto armado.

    A declaração rapidamente viralizou após ser compartilhada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) no X (antigo Twitter): “Se você subir a favela e fizer um bandido armado com fuzil ser rendido com uma pedrada na cabeça, eu faço campanha pro Lula. Desafio lançado, pica-pau”, ironizou o parlamentar.

    A partir daí, as redes sociais transformaram o episódio em um verdadeiro festival de memes. Internautas passaram a chamar Muniz de “professora do universo paralelo” e sugeriram que a polícia passasse a adotar estilingues como armamento padrão. Outros ironizaram que o governo deveria criar o “Programa Pedra Segura”, substituindo fuzis por paralelepípedos.

    Mesmo diante da avalanche de críticas, apoiadores da professora alegaram que suas falas foram tiradas de contexto e que ela tentava apenas ilustrar a suposta “ineficiência prática” do fuzil em áreas urbanas. Mas o estrago estava feito: a fala expôs o abismo entre o discurso acadêmico e a realidade das ruas.

    Segundo a Secretaria de Polícia Civil, 117 dos mortos na operação eram integrantes de facções criminosas, 42 tinham mandados de prisão e 54 vieram de outros estados. Ainda assim, partidos de esquerda e organizações de direitos humanos classificaram o episódio como “chacina”, ignorando a guerra armada travada por grupos que desafiam o Estado brasileiro.

    Debate com delegado escancara o choque entre teoria e realidade

    Em outro momento, Jacqueline Muniz também ganhou destaque em um debate no YouTube com o deputado federal Mário Palumbo (MDB-SP), conhecido como Delegado Palumbo. O embate se tornou viral pelo contraste gritante entre quem enfrenta o crime nas ruas e quem tenta explicá-lo das salas refrigeradas da universidade.

    Palumbo criticou o que chamou de “presunção de culpa contra a polícia” e disse com franqueza o que muitos pensam: “morreu pouco bandido”. Ele ressaltou que há áreas inteiras do Rio de Janeiro sob controle do crime, onde nem o Estado consegue entrar. “Isso é uma afronta à soberania”, disse o deputado.

    Incomodada, Muniz tentou rebater com teorias e jargões acadêmicos, mas acabou sendo aconselhada pelo parlamentar a “subir um morro” para conhecer a realidade antes de falar sobre ela. A resposta da professora — chamando o delegado de “disco arranhado” — apenas reforçou a impressão de que ela habita um mundo distante, onde o crime se combate com palestras e pedras.

    Com 30 anos de “pesquisa sobre segurança”, Muniz voltou a apontar “falhas tático-operacionais” na ação policial, afirmando que, se os protocolos fossem seguidos, não haveria mortes de agentes. Uma conclusão de gabinete, que ignora a brutalidade de facções armadas com fuzis e a rotina de confronto de quem arrisca a vida todos os dias.

    A fala da professora, que pretendia ser uma análise técnica, acabou se tornando um retrato fiel de uma elite acadêmica desconectada da realidade. Um mundo onde criminosos são vítimas, o Estado é o vilão — e pedras, aparentemente, são mais eficazes que a lei.


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