Campagnolo escancara desconforto com candidatura de Carlos Bolsonaro em SC e alerta para possível debandada no PL

    04/11/2025 17h38 - Atualizado há 1 mês

    SANTA CATARINA — A deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) voltou a manifestar publicamente seu desconforto com a estratégia do núcleo bolsonarista de empurrar a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina. Em declarações recentes, a parlamentar classificou o movimento como um “erro político” que pode gerar sérias consequências internas no partido.

    Segundo Campagnolo, a indicação de Carlos Bolsonaro teria partido diretamente do entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro, sem diálogo com as lideranças catarinenses que vêm sustentando a base conservadora no Estado há anos. Ela afirma que a tentativa de impor um nome “de fora” tem causado incômodo e desmobilização entre os filiados locais.

    “Não é justo que um Estado que sempre foi leal ao bolsonarismo tenha seus líderes atropelados. Santa Catarina tem nomes fortes e representativos para disputar o Senado sem precisar importar candidatos”, teria afirmado a deputada, em tom de crítica velada à cúpula nacional do PL.

    Risco de debandada no PL catarinense

    Fontes ligadas ao partido em Santa Catarina afirmam que a insistência na candidatura de Carlos Bolsonaro pode desencadear uma debandada silenciosa de prefeitos, vereadores e lideranças regionais. Muitos deles manifestam apoio à deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), que é vista como um nome mais natural para representar o Estado na disputa pelo Senado em 2026.

    Nos bastidores, cresce a avaliação de que Caroline De Toni reúne legitimidade eleitoral e identificação com o eleitorado catarinense, tendo obtido mais de 227 mil votos nas últimas eleições. Já a possível candidatura de Carlos é vista como uma interferência externa, o que teria provocado desconforto até mesmo entre apoiadores históricos da família Bolsonaro.

    Tensão interna e cenário incerto

    A crise interna no PL catarinense ganha contornos de racha político entre os grupos que defendem a autonomia estadual e os que seguem a orientação direta do ex-presidente. O governador Jorginho Mello, principal nome do partido em Santa Catarina, tem tentado evitar o confronto aberto, mas aliados próximos reconhecem que o clima é de insatisfação crescente.

    Campagnolo, que já foi uma das vozes mais alinhadas ao bolsonarismo raiz, vem se posicionando como porta-voz do sentimento de desconforto que atinge prefeitos, vereadores e lideranças de base.

    Cenário para 2026

    Com a proximidade das eleições municipais de 2026, o PL de Santa Catarina se encontra diante de um impasse delicado: seguir a orientação nacional e bancar o nome de Carlos Bolsonaro, ou preservar a força regional apoiando Caroline De Toni — hoje a preferida da militância e das lideranças locais.

    Enquanto isso, Campagnolo se fortalece como voz crítica dentro do partido, defendendo que o projeto político catarinense não seja subordinado a decisões de fora do Estado.


    Notícias Relacionadas »
    Comentários »
    Comentar

    *Ao utilizar o sistema de comentários você está de acordo com a POLÍTICA DE PRIVACIDADE do site https://bnbrasil.com.br/.
    BN Brasil Publicidade 1200x90