O Tribunal de Contas da União (TCU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) foram acionados para investigar mais um escândalo envolvendo o governo petista: a contratação do iate de luxo Iana III, utilizado como hospedagem oficial de Luiz Inácio Lula da Silva durante a COP30, em Belém (PA). O processo no TCU está sob relatoria do ministro Walton Alencar Rodrigues e deverá apurar possíveis irregularidades e favorecimentos na locação da embarcação.
O Iana III foi alugado da empresa Icotur Transporte e Turismo, responsável por intermediar o contrato com os proprietários. Segundo a Presidência da República, a escolha teria seguido “critérios de segurança, conforto e custo”, sendo a diária de R$ 2.647 por pessoa considerada “a opção mais adequada”. Uma justificativa que escancara o abismo entre o discurso populista e a prática do poder petista.
Enquanto o governo Lula posa de defensor dos pobres e do meio ambiente, o presidente e sua comitiva se hospedam em um iate de luxo, ancorado na Base Naval de Val-de-Cans, transformando a COP30 em uma espécie de cruzeiro tropical pago com o dinheiro do contribuinte. A ironia é gritante: em um evento que deveria simbolizar compromisso com sustentabilidade e austeridade, o petismo mais uma vez revela sua face verdadeira — a do luxo disfarçado de causa social.
A Secretaria de Comunicação (Secom) divulgou nota oficial tentando justificar o escândalo, afirmando que tudo foi feito “com base em critérios técnicos de segurança e economicidade”. Na prática, o argumento soa como o velho chavão usado por governos autoritários e burocráticos para blindar gastos questionáveis sob o manto do “sigilo de segurança nacional”.
“A Presidência reforça que todas as decisões seguem planejamento antecipado, critérios de segurança e transparência...”, diz a nota — ironicamente amparada pela Lei de Acesso à Informação, usada aqui justamente para negar acesso às informações.
O deputado federal Sanderson foi um dos primeiros a reagir, lembrando que o governo poderia ter utilizado um navio da Marinha, disponível sem custos, mas preferiu pagar caro por conforto e mordomias.
“Enquanto o governo prega austeridade e fala em cuidar do povo, gasta recursos públicos para garantir luxo e conforto ao presidente. É preciso transparência e respeito com o dinheiro do contribuinte”, afirmou.
Não é a primeira vez que o Iana III aparece em escândalos. Em 2021, a embarcação foi usada em ações sociais do governo do Amazonas, em Coari (AM), sob suspeita de uso político e desvio de finalidade na distribuição de benefícios e cestas básicas — o que gerou investigação da Justiça Eleitoral.
Agora, sob o comando de Lula, o mesmo barco retorna ao noticiário como símbolo de um governo que fala em justiça social, mas vive à sombra do privilégio e da ostentação. O episódio é mais uma prova daquilo que o Brasil já conhece bem: a hipocrisia de um regime que diz defender o povo, mas nunca abre mão de seus luxos palacianos — sejam eles em Brasília, Paris ou a bordo de um iate em Belém.