Janja promove coquetel para Chefes de Estado, mas nenhum comparece

    07/11/2025 20h11 - Atualizado há 1 mês

    Um espetáculo de vaidades no vazio do poder

    A noite foi marcada não pela diplomacia, mas pela ostentação. Um ambiente cuidadosamente encenado — luzes azuis e violetas em perfeita harmonia, clima teatral e artificialmente sofisticado — tentava disfarçar o óbvio: a ausência de quem realmente importava. Nenhum Chefe de Estado compareceu ao coquetel oferecido pela primeira-dama Janja da Silva durante a Cúpula de Belém, nesta quinta-feira (6).

    Enquanto os convidados esperavam, o evento, com quase duas horas de atraso, parecia mais uma vitrine de autopromoção do casal presidencial do que um compromisso de governo. Nos telões, imagens da Amazônia e dos ribeirinhos — símbolos reais de um Brasil abandonado — eram usadas como pano de fundo para um espetáculo elitista, embalado pela lambada paraense, numa encenação que beirava o deboche.

    À mesa, o alto escalão petista se esbaldava no banquete preparado pelo renomado chef Saulo Jennings. Entre taças e risadas, figuras como Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante e o ministro Alexandre Silveira trocavam confidências enquanto o país assistia, de longe, ao teatro da hipocrisia.

    O evento, segundo a agenda oficial, seria um “coquetel oferecido pelo Presidente da República e pela senhora Janja Lula da Silva aos Chefes de Delegação”. Na prática, transformou-se em um festim de luxo sem convidados de honra — o retrato fiel de um governo que confunde solenidade com encenação e representação diplomática com celebração de si mesmo.

    Enquanto isso, os Chefes de Estado, oficialmente “cansados” da extensa agenda do dia, preferiram se ausentar — talvez poupando-se do constrangimento de participar de um espetáculo vazio.

    Mesmo assim, houve tempo para Janja protagonizar seu momento de exibição, arriscando passos de lambada em meio ao seleto público interno, sob o olhar complacente de Lula, que permaneceu no local por apenas meia hora.

    O banquete seguiu farto, com três tipos de peixes da Amazônia e uma ilha de drinks com oito variedades de coquetéis — um cenário de excessos disfarçado de “valorização da cultura local”.

    No fim, o coquetel que deveria celebrar o Brasil diante do mundo se transformou em uma metáfora perfeita: muita luz, muito som, muito luxo — e nenhuma substância.


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