Enquanto surgem questionamentos sobre gastos da Prefeitura de Brusque com publicidade institucional, outro tema de interesse coletivo parece ter sido silenciosamente retirado da agenda pública: o projeto de saneamento e tratamento de esgoto do município.
Por anos apresentado como uma das metas estruturantes da cidade, o plano foi destaque em discursos e anúncios oficiais, mas agora parece ter desaparecido do debate — o que começa a gerar dúvidas sobre transparência, prioridades administrativas e compromisso ambiental.
Em fevereiro de 2022, o Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) instaurou inquérito civil para apurar a ausência de sistema de tratamento de esgoto em Brusque, Guabiruba e Botuverá. A investigação foi motivada por denúncias de despejo irregular de efluentes no rio Itajaí-Mirim, principal manancial da região.
No ano seguinte, novo inquérito foi aberto para apurar ligações clandestinas na rede pluvial e indícios de poluição hídrica.
Em resposta às cobranças, a Prefeitura anunciou em 2025 um projeto de parceria público-privada (PPP) estimado em R$ 744 milhões, prometendo universalizar a coleta e o tratamento de esgoto em até 35 anos. O Tribunal de Contas do Estado (TCE/SC), no entanto, analisou o modelo e emitiu 65 recomendações e alertas técnicos, apontando falhas no plano de negócios, na matriz de riscos e na estrutura contratual.
Desde então, o processo parece ter parado.
As audiências públicas realizadas no início do ano foram as últimas movimentações visíveis do projeto. Nenhum novo comunicado foi divulgado pela administração municipal, tampouco houve retorno público sobre as adequações exigidas pelo TCE.
O assunto também deixou de ser tratado nas sessões da Câmara de Vereadores — o que tem causado estranhamento entre lideranças comunitárias e ambientais, que cobram explicações.
Brusque, cidade de porte industrial e vocação turística, segue sem um sistema pleno de esgotamento sanitário — o que compromete o meio ambiente e a qualidade de vida.
O silêncio da Prefeitura sobre o destino do projeto levanta uma pergunta incômoda: por que um tema tão essencial saiu de pauta?
Enquanto as manchetes recentes apontam milhões gastos em publicidade institucional, o investimento mais básico — o que garante saúde e dignidade — parece ter sido deixado para depois.