Nos últimos anos, as redes sociais se tornaram verdadeiras vitrines de produtos. Roupas, eletrônicos, eletrodomésticos e até automóveis são anunciados em perfis que prometem entrega rápida, descontos generosos e pagamento facilitado por PIX. O problema é que, junto dessa praticidade, surgiu um dos golpes mais comuns da atualidade: o falso vendedor com o “pix falso”.
O criminoso cria um perfil falso, geralmente copiando nome, fotos e até publicações de lojas legítimas. Em seguida, publica uma oferta muito abaixo do preço de mercado — o bastante para despertar o interesse e gerar a sensação de urgência. Ao ser contatado pelo consumidor, o estelionatário pressiona para que o pagamento seja feito por PIX “para garantir o desconto”. Assim que o valor é transferido, o perfil desaparece e o comprador nunca mais consegue contato.
Em outros casos, o golpista envia um QR Code ou link falso, redirecionando o pagamento para uma conta de terceiros. Há também situações em que o comprador recebe um comprovante forjado, acreditando que o vendedor pagou, quando na verdade o dinheiro nunca foi transferido.
Desconfie de preços muito baixos. Nenhum vendedor sério oferece descontos fora da realidade do mercado. Promoções exageradas costumam esconder armadilhas.
Verifique se o perfil é oficial. Veja há quanto tempo existe, se possui CNPJ, site, avaliações e contato físico. Golpistas mudam de nome e foto com frequência.
Evite negociar exclusivamente por redes sociais. Prefira canais oficiais, sites com certificado de segurança (cadeado na barra do navegador) e aplicativos reconhecidos.
Não pague por PIX antes de receber confirmação segura. Sempre verifique se o destinatário é pessoa jurídica e se o nome exibido na tela corresponde à empresa anunciada.
Desconfie de pressa. Golpistas sempre dizem que “é a última unidade” ou “restam poucas horas” para forçar o pagamento imediato.
Salve todas as conversas e comprovantes. Eles servem como prova em caso de reclamação, boletim de ocorrência ou ação judicial.
Procure orientação. Em caso de dúvida, consulte o PROCON ou órgãos de defesa do consumidor antes de realizar o pagamento.
As instituições financeiras têm o dever de oferecer meios seguros e de bloquear contas suspeitas, mas a prevenção começa na ponta: com o consumidor. É importante lembrar que o PIX é uma transferência instantânea e irreversível, o que exige atenção redobrada. Uma vez enviado, o dinheiro dificilmente será recuperado.
O consumidor precisa agir com a mesma cautela que teria ao entregar dinheiro vivo a um desconhecido. Em ambiente digital, confiança é tudo — e um clique impensado pode custar caro.
A internet facilitou a vida de quem compra, mas também multiplicou as armadilhas. Espalhar informação é a melhor forma de proteção. Se você conhece alguém que costuma comprar em redes sociais, compartilhe essas orientações. A prevenção é o único caminho seguro para quem quer aproveitar a comodidade do PIX sem cair no golpe do “pix falso”.
*Por Fábio Roberto de Souza
Jornalista (registro MTb 6867/SC), ex-diretor-geral de PROCON e especialista em Direito do Consumidor, com mais de duas décadas de atuação na área.