Moraes suspende inquérito que apurava remoção de corpos após megaoperação

    10/11/2025 19h16 - Atualizado há 1 mês

    Mais uma vez, Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decide intervir em um assunto que deveria caber exclusivamente às autoridades estaduais de segurança pública. Desta vez, Moraes suspendeu o inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro que investigava a remoção de corpos de parte dos 121 mortos na megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha — uma ação que, segundo especialistas, representava uma tentativa legítima do Estado de enfrentar o poder armado do tráfico.

    A decisão, travestida de “controle judicial”, soa como um verdadeiro escudo para criminosos. Na prática, o ministro impede que a Polícia Civil apure a possível fraude processual que envolvia a retirada de corpos e de roupas camufladas — indícios claros de uma tentativa das facções de apagar rastros e vínculos com o crime organizado. A suspensão do inquérito, portanto, não protege a legalidade, mas sim as estruturas que buscam ocultar a verdade sobre os mortos na operação.

    Moraes ainda determinou que o governo do Rio preserve imagens das câmeras corporais e envie os laudos das autópsias ao Supremo, extrapolando mais uma vez suas competências. É no mínimo absurdo — e inconstitucional — que um ministro da Corte Suprema interfira diretamente na condução de uma investigação policial estadual, ferindo o princípio federativo e a autonomia dos estados na área de segurança pública.

    Enquanto policiais e comunidades convivem com o terror imposto por facções armadas, o Supremo parece mais preocupado em cercear as ações das forças de segurança do que em garantir justiça e proteção à sociedade. A cada nova decisão como essa, o STF consolida a perigosa imagem de um poder que ultrapassa os limites constitucionais e enfraquece o combate ao crime — um triste retrato de um país onde quem arrisca a vida para defender o cidadão é tratado como réu, e quem desafia o Estado é tratado como vítima.


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