Mais uma vez, Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decide intervir em um assunto que deveria caber exclusivamente às autoridades estaduais de segurança pública. Desta vez, Moraes suspendeu o inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro que investigava a remoção de corpos de parte dos 121 mortos na megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha — uma ação que, segundo especialistas, representava uma tentativa legítima do Estado de enfrentar o poder armado do tráfico.
A decisão, travestida de “controle judicial”, soa como um verdadeiro escudo para criminosos. Na prática, o ministro impede que a Polícia Civil apure a possível fraude processual que envolvia a retirada de corpos e de roupas camufladas — indícios claros de uma tentativa das facções de apagar rastros e vínculos com o crime organizado. A suspensão do inquérito, portanto, não protege a legalidade, mas sim as estruturas que buscam ocultar a verdade sobre os mortos na operação.
Moraes ainda determinou que o governo do Rio preserve imagens das câmeras corporais e envie os laudos das autópsias ao Supremo, extrapolando mais uma vez suas competências. É no mínimo absurdo — e inconstitucional — que um ministro da Corte Suprema interfira diretamente na condução de uma investigação policial estadual, ferindo o princípio federativo e a autonomia dos estados na área de segurança pública.
Enquanto policiais e comunidades convivem com o terror imposto por facções armadas, o Supremo parece mais preocupado em cercear as ações das forças de segurança do que em garantir justiça e proteção à sociedade. A cada nova decisão como essa, o STF consolida a perigosa imagem de um poder que ultrapassa os limites constitucionais e enfraquece o combate ao crime — um triste retrato de um país onde quem arrisca a vida para defender o cidadão é tratado como réu, e quem desafia o Estado é tratado como vítima.