Com recondução de Gonet, Senado entrega a Alexandre de Moraes carta branca para seguir agindo sem limites

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O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (12) a recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para mais um mandato de dois anos. Foram 45 votos favoráveis e 26 contrários — apenas quatro a mais do que o mínimo necessário. A votação secreta ofereceu o ambiente perfeito para que muitos parlamentares se escondessem atrás do anonimato.

A decisão, porém, representa muito mais do que a simples continuidade de um mandato: foi um salvo-conduto político, uma espécie de perdão institucional concedido por um Senado acuado, que, na prática, absolveu Alexandre de Moraes de anos de abusos, excessos, atropelos constitucionais e perseguições abertas contra a direita brasileira.

Gonet, o PGR submisso ao STF

Paulo Gonet chegou ao comando da PGR em 2023 com o aval explícito de Gilmar Mendes e de Alexandre de Moraes, de quem foi sócio no IDP. Sua atuação no cargo consolidou a percepção de que a Procuradoria se transformou num departamento auxiliar do Supremo, repetindo discursos, posições e interesses de ministros que passaram a interferir de forma direta no ambiente político.

A recondução, portanto, não é sobre Gonet — é sobre Moraes. E a mensagem enviada pelo Senado é inequívoca: tudo o que Moraes fez está autorizado a continuar.

O Senado que rugia virou o Senado que se acovardou

O ponto mais vergonhoso da sessão foi o sumiço inexplicável dos 15 senadores que, meses atrás, assinavam a lista pelo impeachment de Moraes. Se eram 41 nomes, por que apenas 26 foram capazes de votar contra o homem que blindou o ministro e transformou a PGR em seu instrumento?

A resposta constrange: faltou coragem. Sobrou covardia.

Os discursos contrários à recondução foram duros, contundentes, mas na hora de enfrentar o sistema — mesmo com votação secreta — muitos senadores simplesmente se renderam, preferindo preservar seus próprios interesses políticos a defender a Constituição e a separação dos poderes.

Reconduzir Gonet é reconduzir os abusos

Ao manter o PGR no cargo, o Senado:

  • validou a submissão da PGR ao STF;

  • sancionou a continuidade de investigações seletivas;

  • chancelou a perseguição política travestida de processo judicial;

  • premiou o alinhamento automático aos interesses de Moraes;

  • perdeu a chance histórica de pôr freio institucional nos excessos do Supremo.

A recondução de Gonet é, na prática, o maior gesto de fraqueza institucional do Senado desde a redemocratização. Uma demonstração pública de que a Casa que deveria conter abusos resolveu se ajoelhar diante do poder togado.

A mensagem ao país é alarmante

A decisão transmite ao Brasil um recado claro e perigoso:

não haverá oposição real às arbitrariedades do Supremo. não haverá freios.
não haverá contrapesos.

Com a bênção dos senadores, Alexandre de Moraes ganhou carta branca, aval para seguir conduzindo investigações, processos e decisões de forma descontrolada — agora com a chancela renovada de um PGR dócil e obediente.

Enquanto isso, o Senado segue desaparecido, tímido, submisso, acuado e irreconhecível — incapaz de defender a própria Constituição e o papel que lhe cabe na República.