LOUCURA IDEOLÓGICA: “Racismo climático”, feminismo e “reparações históricas”, na prova para Cota Trans

Por Fábio Roberto de Souza

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O episódio recente envolvendo a Universidade Federal de Santa Catarina (Universidade Federal de Santa Catarina) expõe, de forma cristalina, o grau de distorção a que parte das universidades federais brasileiras chegou. Sob o pretexto de inclusão, institui-se um processo seletivo paralelo, com exigências substancialmente inferiores ao vestibular tradicional, permeado por temas ideológicos que pouco ou nada têm a ver com formação acadêmica sólida.

Em novembro de 2025, a UFSC aplicou uma prova exclusiva para candidatos da chamada “cota trans”. Enquanto o vestibular regular contou com 80 questões, prova discursiva e redação, o exame especial teve apenas 30 questões e uma redação, diferença que, por si só, levanta questionamentos incontornáveis sobre isonomia, rigor e mérito.

O conteúdo da redação aprofunda a controvérsia. O tema proposto — “racismo climático” — veio acompanhado de textos de apoio sobre “justiça climática”, imagens militantes e até um quadro sobre “ansiedade climática”, apresentada como uma espécie de patologia geracional. Ao candidato, não se exigiu domínio de conhecimentos científicos, técnicos ou humanísticos clássicos, mas adesão discursiva a uma narrativa ideológica específica — ou, alternativamente, um “relato pessoal” moldado por esse mesmo enquadramento.

O caso ganhou repercussão nacional após a aprovação de uma ex-major da Polícia Militar no curso de Medicina por meio desse processo seletivo, o que levou à denúncia do modelo ao Ministério Público Federal (Ministério Público Federal). Independentemente do perfil individual da candidata, o ponto central permanece: é aceitável que a porta de entrada para um dos cursos mais disputados do país seja escancarada por critérios ideológicos e provas simplificadas?

A pergunta que ecoa fora dos muros acadêmicos é ainda mais direta: que profissionais sairão desse sistema? Médicos, engenheiros, juristas e professores formados sob um ambiente em que o esforço intelectual é relativizado e a militância substitui o conhecimento técnico tendem a carregar lacunas graves — com impactos que recaem sobre toda a sociedade.

A universidade pública existe para produzir ciência, formar profissionais competentes e ampliar o conhecimento — não para funcionar como laboratório de engenharia social ou trincheira partidária. Políticas de inclusão não podem servir de biombo para a erosão do mérito, da exigência acadêmica e da igualdade de condições entre candidatos.

Quando cotas deixam de ser instrumento de correção de desigualdades reais e passam a operar como atalhos ideológicos, o resultado não é justiça social, mas descrédito institucional. O caso da UFSC não é um ponto fora da curva; é sintoma de um modelo que precisa ser urgentemente revisto, antes que a universidade brasileira abandone de vez sua missão fundamental.

 

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Fábio Roberto de Souza é jornalista 6867/SC, atuando como colunista e articulista do BN Brasil e colaborando com diversos veículos de comunicação. Desenvolve análises e conteúdos voltados à política, economia, educação, direitos do consumidor e temas institucionais, com foco na informação responsável, no debate público qualificado e na defesa do interesse coletivo.

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