Eleições 2026 em Santa Catarina: Cenário ainda indefinido e bastidores mostram que muitas reviravoltas podem ocorrer
A disputa pelo governo de Santa Catarina em 2026 começa a ganhar contornos nos bastidores da política estadual, mas está longe de apresentar um cenário fechado. Ao contrário: os movimentos recentes indicam que alianças improváveis, mudanças de partido e rearranjos estratégicos ainda podem acontecer — e alguns deles já começam a surpreender o meio político.
Um exemplo claro dessa dinâmica é a posição do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD). Embora permaneça no PSD, partido que tem como principal liderança estadual o prefeito de Chapecó João Rodrigues, Topázio confirmou que estará na campanha pela reeleição do governador Jorginho Mello (PL).
O prefeito da capital afirmou que sua posição não é novidade nos bastidores políticos e destacou também sua relação de proximidade com o presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia (PSD), a quem pretende apoiar como candidato a deputado federal.
Além disso, Topázio também deve se envolver diretamente na campanha de seu ex-chefe de gabinete, Fábio Botelho (Podemos), que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. A decisão de permanecer no PSD, mesmo com apoio a Jorginho, já teria sido discutida com o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab.
O movimento demonstra que, mesmo dentro dos partidos, as posições ainda estão longe de ser uniformes.
Outro partido que vive um momento de divisão interna é o Progressistas (PP). Circulando recentemente pela Assembleia Legislativa, o deputado Pepê Collaço fez questão de afirmar que permanecerá no partido, em meio às especulações sobre possíveis mudanças de sigla.
Quando questionado sobre qual caminho o PP deveria seguir na eleição estadual, Collaço foi direto ao apontar sua preferência pela manutenção da aliança com o governador Jorginho Mello.
Segundo ele, a tendência nacional do partido também pode influenciar a decisão em Santa Catarina. Na esfera federal, o PP deve apoiar o senador Flávio Bolsonaro em um eventual projeto presidencial, o que, na avaliação do deputado, poderia aproximar ainda mais o partido do campo político liderado por Jorginho no estado.
Apesar disso, o partido segue dividido entre apoiar a reeleição do governador ou aderir ao projeto político de João Rodrigues, que trabalha para construir uma alternativa ao atual governo.
O prefeito de Chapecó, aliás, continua se movimentando intensamente. Para o evento político conhecido como PSD Day, marcado para o dia 21 em Chapecó, João Rodrigues confirmou que convidou o senador Esperidião Amin (PP).
Embora o convite não signifique necessariamente presença confirmada, o gesto tem forte simbolismo político. Rodrigues já declarou publicamente que gostaria de ter Amin em sua chapa, o que reforça as especulações sobre uma possível composição envolvendo o senador.
Nos bastidores também circula a avaliação de que Amin poderia disputar uma das vagas ao Senado buscando conquistar o chamado “segundo voto” do eleitorado de direita — especialmente entre eleitores que não demonstram entusiasmo por outras candidaturas que podem surgir no campo conservador.
Enquanto isso, dentro do MDB, as movimentações também revelam um partido em busca de rumo.
O atual secretário estadual de Infraestrutura, Jerry Comper (MDB), já acertou com o governador Jorginho Mello que permanecerá no cargo até próximo do prazo de desincompatibilização eleitoral. A exoneração deve ocorrer no fim de março.
Apesar de filiado ao MDB, Comper tem manifestado fidelidade política ao governador e não descarta inclusive uma mudança de partido para o PL, caso decida disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
O secretário também demonstrou preocupação com o processo interno que o MDB vem conduzindo para definir seu posicionamento eleitoral. O partido realizou reuniões macrorregionais nas quais lideranças votam em quatro possibilidades: candidatura própria ao governo, apoio a João Rodrigues com indicação do vice, composição com uma frente de esquerda ou apoio a Jorginho Mello mesmo fora da chapa majoritária.
Segundo Comper, a tendência natural das bases é sempre defender candidatura própria, mas ele questiona se o partido realmente possui um nome competitivo para sustentar esse projeto.
Na avaliação do secretário, lançar um candidato improvisado poderia enfraquecer o MDB na disputa eleitoral. Por isso, ele defende que o partido considere apoiar o atual governador ou, ao menos, conceder liberdade aos filiados para escolher seus caminhos.
Com um detalhe que deixa claro o tamanho das divergências internas: Comper afirma que não participaria de uma composição com João Rodrigues.
Diante de tantos movimentos cruzados, a única certeza no momento é que o cenário eleitoral de 2026 em Santa Catarina ainda está completamente em aberto.
As alianças definitivas dependerão de decisões partidárias, disputas internas, estratégias nacionais e, sobretudo, da capacidade de articulação dos principais líderes políticos do estado.
Até lá, os bastidores prometem continuar produzindo movimentos inesperados — alguns deles capazes de mudar completamente o desenho da disputa pelo governo catarinense.