Lula anuncia revogação do visto de assessor de Trump

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A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que proibiu a entrada no Brasil do assessor do Departamento de Estado do governo de Donald Trump, Darren Beattie, escancara mais um episódio preocupante de uso político da diplomacia brasileira.

Em vez de agir com a responsabilidade institucional que o cargo exige, Lula transformou uma decisão de política externa em um ato de revanche pessoal. Durante evento no Rio de Janeiro, o presidente afirmou abertamente que determinou o veto à entrada de Beattie no país enquanto os Estados Unidos não liberarem os vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de sua esposa e até mesmo de sua filha de apenas 10 anos.

A declaração, além de constrangedora do ponto de vista diplomático, revela um governo que parece tratar as relações internacionais como se fossem uma disputa de bairro, movida por ressentimentos e interesses políticos imediatos.

O caso ganha contornos ainda mais graves porque o assessor americano pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso em Brasília. A visita, que poderia ocorrer dentro das normas internacionais de diálogo político e diplomático, acabou sendo barrada após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reforçando a percepção de que existe no Brasil uma espécie de blindagem institucional contra qualquer interlocução internacional que envolva Bolsonaro.

Em vez de demonstrar segurança institucional, o governo Lula reage com nervosismo diante de qualquer gesto externo que possa lançar luz sobre o cenário político brasileiro.

A decisão também expõe o grau de alinhamento entre o Palácio do Planalto e setores do Judiciário, especialmente quando se trata de assuntos relacionados ao ex-presidente. A negativa à visita de Beattie veio acompanhada de argumentos do Itamaraty sobre suposta “ingerência estrangeira”, tese que soa conveniente, mas pouco convincente diante do histórico recente da diplomacia brasileira — que jamais demonstrou tanta preocupação quando aliados ideológicos do atual governo receberam apoio e visitas internacionais.

A justificativa oficial do Ministério das Relações Exteriores aponta que Beattie teria omitido informações ao solicitar o visto. No entanto, o próprio discurso de Lula desmonta essa versão burocrática ao deixar claro que a motivação central foi política: retaliar os Estados Unidos pela decisão envolvendo o ministro Alexandre Padilha.

O episódio reforça uma imagem cada vez mais recorrente do atual governo: um Planalto que reage de forma impulsiva, politizada e pouco diplomática, utilizando o aparato estatal para travar disputas ideológicas e proteger aliados.

Em vez de fortalecer a posição internacional do Brasil, Lula transforma a diplomacia em palco de disputas partidárias e ressentimentos pessoais — uma postura que enfraquece a credibilidade do país e coloca a política externa brasileira a serviço de interesses políticos internos.

No cenário internacional, atitudes desse tipo não passam despercebidas. Governos e diplomatas observam com preocupação quando um chefe de Estado admite publicamente que proibiu a entrada de um representante estrangeiro por motivos de retaliação política.

Mais uma vez, o Brasil vê sua política externa sendo conduzida não pela razão de Estado, mas pela lógica da militância ideológica que marca o atual governo.