Crise no PSD expõe “fogo amigo” e fortalece João Rodrigues como voz contra a velha política em Santa Catarina
A crise interna que abalou o PSD de Santa Catarina nos últimos dias acabou produzindo um efeito político inesperado: ao invés de enfraquecer, reforçou ainda mais a imagem do prefeito de Chapecó, João Rodrigues, como uma liderança que confronta diretamente a velha política e as práticas que há décadas dominam os bastidores partidários no Estado.
O episódio teve início após uma discussão em um grupo de WhatsApp que reúne integrantes da executiva estadual do PSD. O estopim foi o envio, por João Rodrigues, de uma entrevista concedida pelo prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, na qual ele declara permanecer no partido, mas apoiar politicamente o governador Jorginho Mello na disputa eleitoral.
A declaração provocou forte reação dentro da legenda, especialmente por parte de Rodrigues, que questionou como um partido poderia manter um filiado trabalhando contra o próprio projeto político. Para o prefeito de Chapecó, a situação simboliza exatamente o tipo de “fogo amigo” que o eleitor catarinense já demonstrou não tolerar.
O desgaste da velha políticaO embate também trouxe à tona a influência de figuras históricas da política catarinense, como o ex-governador Jorge Bornhausen, que tentou intermediar a crise pedindo “paciência” ao prefeito de Chapecó.
No entanto, a reação popular nas redes sociais e nos bastidores políticos indica que o eleitorado catarinense está cada vez mais distante desse modelo de condução partidária marcado por caciques e estruturas tradicionais de poder.
Para muitos analistas, o episódio escancarou um sentimento que vem crescendo em Santa Catarina: a rejeição a oligarquias políticas que por décadas controlaram partidos e decisões estratégicas nos bastidores.
A percepção entre apoiadores de Rodrigues é clara: o eleitor não aceita mais traições internas, acordos obscuros ou líderes partidários que tratam legendas como propriedades pessoais.
Reviravolta no partidoApós a repercussão do episódio, o PSD acabou recuando da tentativa de retirar João Rodrigues do projeto eleitoral. A direção partidária anunciou a abertura de um processo de expulsão contra Topázio Neto, justamente por atuar politicamente contra a candidatura do próprio partido.
Nos bastidores, a situação chegou ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que teria orientado a sigla a preservar a candidatura de Rodrigues e evitar uma ruptura interna que poderia enfraquecer o projeto eleitoral da legenda.
Com isso, João Rodrigues reafirmou sua pré-candidatura ao governo do Estado e sua permanência no PSD.
O apoio que pode mudar o jogoEnquanto a turbulência partidária expôs as divisões internas, outro fator pode alterar completamente o cenário político catarinense: a possibilidade de apoio do senador Esperidião Amin.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que uma aliança envolvendo o Progressistas e o União Brasil ao projeto liderado por João Rodrigues poderia redesenhar a disputa eleitoral no Estado.
Esse movimento teria enorme peso político, reunindo forças tradicionais do eleitorado catarinense e ampliando a base de apoio de Rodrigues para além do PSD.
Analistas políticos apontam que, caso essa articulação se consolide, o prefeito de Chapecó pode se transformar rapidamente no principal polo de oposição ao atual governo na corrida eleitoral.
Um recado do eleitor catarinenseO episódio ocorrido dentro do PSD acabou revelando algo maior do que um simples conflito partidário.
A reação popular mostra que cresce em Santa Catarina uma rejeição clara a práticas consideradas antigas na política — como traições internas, disputas de bastidores e o controle de partidos por estruturas tradicionais.
Nesse contexto, João Rodrigues passou a simbolizar, para parte significativa do eleitorado, uma liderança que confronta esse modelo e que se apresenta como alternativa diante do desgaste da velha política.
Se essa percepção se consolidar nos próximos meses — especialmente com possíveis alianças envolvendo Progressistas e União Brasil — a disputa pelo governo de Santa Catarina em 2026 poderá ganhar contornos muito diferentes do que se imaginava até agora.