Regime lulo-petista improvisa às pressas e crise dos caminhoneiros explode nas estradas
Após novos acenos do regime federal — cada vez mais pressionado — entidades que representam caminhoneiros de todo o país decidiram adiar para esta quinta-feira (19) a definição sobre uma possível greve nacional. Nos bastidores, a leitura é clara: o regime lulo-petista tenta, mais uma vez, ganhar tempo diante de uma crise que ele próprio ajudou a agravar.
De acordo com o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), uma assembleia geral foi convocada para as 16h, em Santos (SP), onde deverá ser tomada uma decisão definitiva.
Na segunda-feira (16), representantes do Sindicam, da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e de outras entidades já haviam aprovado o indicativo de greve. A mobilização ganhava força e poderia ter se consolidado nesta quarta-feira (18), não fosse a intervenção de última hora do governo.
Horas antes da reunião, o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o comando da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciaram medidas supostamente mais duras contra empresas que descumprem o piso do frete. Medidas que, na prática, chegam tarde — e com forte cheiro de improviso político para conter uma crise iminente.
O resultado foi previsível: a reunião terminou sem consenso. A categoria segue dividida entre confiar em promessas de um governo desacreditado ou partir para o enfrentamento direto nas estradas.
Entre as principais queixas está a velha e conhecida prática de fretes pagos abaixo do mínimo legal — uma distorção que, na prática, joga nas costas do caminhoneiro o custo da incompetência econômica e da política energética do próprio governo. “O transportador não pode continuar absorvendo esse custo”, afirmou Wallace Landim, da Abrava, evidenciando o óbvio que Brasília insiste em ignorar.
Na semana passada, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) já havia acionado a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), denunciando possíveis abusos no preço do diesel — aumentos que estariam ocorrendo mesmo sem reajuste oficial da Petrobras. Ou seja: o caos já se instalou na cadeia, enquanto o governo corre atrás do próprio prejuízo.
A própria CNTTL, que inicialmente apoiou a greve, recuou horas depois — mais um sinal da confusão generalizada que domina o setor, reflexo direto da insegurança institucional e econômica.
Para lideranças como Everaldo Bastos, da Fetrabens, o problema é estrutural e foi agravado recentemente. Em outras palavras: não é crise pontual — é consequência de uma condução desastrosa que vem se acumulando.
Enquanto isso, entidades de Santa Catarina já decidiram agir. O Sinditac, de Navegantes, confirmou paralisação a partir desta quinta-feira. A Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC), com sede em Itajaí, também anunciou mobilização nacional, classificando o cenário como “insustentável” — diesel nas alturas, fretes defasados e total desrespeito com quem move o país.
O pano de fundo internacional, com a alta do petróleo após o conflito entre Estados Unidos e Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, agravou ainda mais a situação. Mas atribuir tudo ao cenário externo é conveniente — e desonesto. O problema interno é antigo, conhecido e ignorado.
Os números não deixam dúvida: o diesel S-10 subiu 7,72% e o comum 6,10% em poucos dias, com picos de até 17,45% em estados como o Piauí. A conta, como sempre, recai sobre quem trabalha.
Diante do risco real de uma nova paralisação — como a de 2018, que expôs a fragilidade do país — o governo tenta evitar o inevitável. Anuncia fiscalização eletrônica, ameaça empresas, promete punições. Mas a própria fala do ministro escancara o problema: “A multa virou custo operacional”. Ou seja, o Estado perdeu o controle — e agora corre atrás.
No campo tributário, medidas como isenção de PIS/Cofins e subsídios surgem como remendos emergenciais, sem atacar a raiz do problema. Fala-se também em taxar exportações de petróleo, numa tentativa de forçar aumento da oferta interna — mais uma intervenção típica de quem insiste em controlar o mercado na canetada.
A ANTT atualizou a tabela de frete com reajustes modestos, entre 4,82% e 7%, completamente descolados da realidade dos custos enfrentados pelos transportadores.
Paralelamente, a Polícia Federal abriu investigação sobre aumentos abusivos nos combustíveis — um movimento que evidencia o nível de desorganização do setor. O próprio governo admite suspeitas de irregularidades, enquanto tenta manter o discurso de controle.
Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, preferiu atacar o setor produtivo, acusando empresários de “especulação”. Um discurso recorrente: transferir culpa, criar inimigos e fugir da responsabilidade.
No fim, o cenário é claro: um governo que reage em vez de agir, que promete em vez de resolver e que tenta conter uma crise que nasce, em grande parte, da sua própria incapacidade de gestão.
A decisão dos caminhoneiros, agora, dirá se o país caminha novamente para o colapso logístico — ou se aceitará, mais uma vez, as promessas de um regime que já demonstrou não entregar o que promete.