ANÁLISE - Brusque tem força real para eleger um deputado estadual? Com base nas eleições estaduais, federais e no novo cenário político...

Por Fábio Roberto de Souza

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Como sempre falo, Política no Brasil é é só conhecimento ou reconhecimento público.No final das contas, é muito mais matemática eeitoral do que a expressão natural de que são "os melhores que chegam".

A discussão sobre a possibilidade de Brusque voltar a ter representação própria na Assembleia Legislativa de Santa Catarina
ganha mais precisão quando se observa não apenas a eleição estadual, mas também o comportamento do eleitorado na disputa federal.

Isso porque o padrão de votação para deputado federal revela a força estrutural dos partidos, o nível de mobilização eleitoral e a tendência de concentração de votos — fatores que se repetem nas eleições estaduais.

E os números de 2022 deixam isso muito claro.

O dado estrutural novo: como Santa Catarina votou para deputado federal

Na eleição para a Câmara dos Deputados, Santa Catarina elegeu: 16 deputados federais

Distribuição por partido (2022)

  • 6 deputados — Partido Liberal
  • 3 deputados — Movimento Democrático Brasileiro
  • 2 deputados — Partido dos Trabalhadores
  • 2 deputados — Partido Social Democrático
  • 1 deputado — Cidadania
  • 1 deputado — Partido Novo
  • 1 deputado — União Brasil

Esse resultado mostra um padrão que se repete em todas as eleições:  poucos partidos concentram a maioria das vagas Esse comportamento é estrutural no sistema proporcional.

O que a eleição federal revela sobre a eleição estadual

O padrão observado na eleição federal se repete quase exatamente na disputa para deputado estadual.

Na eleição para a Assembleia Legislativa de Santa Catarina foram eleitos: 40 deputados estaduais

E novamente:  poucos partidos dominaram as vagas

Especialmente:

  • PL
  • MDB
  • PT
  • PSD

Isso confirma um ponto central: partidos grandes elegem deputados — partidos médios e pequenos disputam sobrevivência

O cenário político projetado para a próxima eleição

O ambiente eleitoral que se forma é um dos mais competitivos dos últimos anos.

Isso ocorre porque haverá força política simultânea em todos os níveis da disputa.

Força nas chapas estaduais

O cenário indica candidaturas competitivas:

  • o Partido Liberal deve ter candidato forte à reeleição ao Governo e nomes competitivos ao Senado
  • o Partido Social Democrático deve apresentar candidatura forte ao Governo e ao Senado
  • o Progressistas deve ter candidato competitivo ao Senado
  • o Partido dos Trabalhadores deve disputar Governo e Senado com força eleitoral
  • o Partido Novo deve integrar chapa majoritária relevante

Isso aumenta o volume de votos partidários.

Mas também aumenta a concorrência interna.

O fator adicional: disputa presidencial forte

Outro elemento que eleva o nível de exigência da eleição é a presença de candidaturas competitivas à Presidência da República.

O cenário projetado indica candidaturas fortes:

  • no Partido Liberal
  • no Partido dos Trabalhadores
  • no Partido Social Democrático
  • no Partido Novo

Esse tipo de disputa gera:

  • maior comparecimento eleitoral
  • maior mobilização ideológica
  • maior fidelidade partidária

E isso eleva o patamar mínimo necessário para se eleger deputado.

BRUSQUE - O tamanho eleitoral da potencialmente região

Considerando:

  • Brusque
  • Guabiruba
  • Botuverá
  • Nova Trento
  • São João Batista

Eleitores estimados

Cerca de 160 mil eleitores

Votos válidos estimados

Cerca de 125 mil a 130 mil votos

Esse é o limite natural da força eleitoral regional.

O custo real de uma vaga

Nas últimas eleições estaduais: 95 mil a 105 mil votos – ESTE É O COEFICIENTE. A cada 95 mil votos, elegeria um.

Esse número define a competitividade.

Significa:

  • a região tem força natural para eleger 1 deputado estadual
  • pode eleger 2 apenas em cenário excepcional

Mas: não comporta muitos candidatos fortes ao mesmo tempo.

O fator estrutural decisivo: cada partido pode lançar até 40 candidatos

Esse detalhe muda completamente a dinâmica eleitoral.

Na prática:

  • poucos candidatos concentram votos
  • muitos candidatos diluem votos
  • a disputa interna é intensa

Por isso, o desafio não é apenas vencer adversários.

É vencer dentro do próprio partido.

Os nomes colocados no cenário regional

Agora, considerando todos os fatores:

  • tamanho do eleitorado
  • desempenho histórico
  • força partidária
  • cenário estadual
  • cenário federal
  • disputa presidencial

Segue a leitura técnica dos nomes.

Nível estimado de competitividade dos pré-candidatos

Paulo Eccel (PT)

Perfil:

  • ex-prefeito eleito e reeleito
  • ex-deputado estadual
  • base regional consolidada

Com candidatura forte ao Governo e à Presidência no Partido dos Trabalhadores, o ambiente eleitoral tende a favorecer sua candidatura.

Classificação: competitividade alta

Deco Batisti (PL)

Perfil:

  • vice-prefeito
  • inserção administrativa
  • partido dominante no estado

O Partido Liberal deve ter uma das maiores bancadas.

Mas também terá:

  • muitos candidatos fortes
  • disputa interna intensa

Classificação: competitividade média a alta

Pastor Marcus Foppa (Republicanos)

Perfil:

  • base religiosa organizada
  • voto disciplinado

O Republicanos costuma eleger candidatos com votação concentrada.

Classificação: competitividade média

Rick Zanata (Novo)

Perfil:

  • vereador reeleito
  • eleitorado ideológico

O Partido Novo tende a crescer em cenários polarizados.

Classificação: competitividade média

Cacá Tavares (Podemos)

Perfil:

  • base local
  • presença municipal

O Podemos depende de crescimento regional.

Classificação: competitividade média

Rodrigo Voltolini (PSDB)

Perfil:

  • votação anterior relevante
  • estrutura partidária menor

O Partido da Social Democracia Brasileira vem reduzindo presença eleitoral.

Classificação: competitividade média à baixa

Santiago César (Missão)

Perfil:

  • primeira eleição

Classificação: competitividade baixa

O cenário mais provável

Considerando todos os fatores integrados:

  • eleição estadual
  • eleição federal
  • disputa presidencial
  • força partidária
  • número de candidatos
  • tamanho do eleitorado regional

O cenário estatisticamente mais provável é: A região eleger 1 deputado estadual

Possível, mas difícil: eleger 2

Conclusão geral

A eleição que se aproxima será mais mobilizada, mais ideológica e mais competitiva do que as anteriores.

Mas a matemática eleitoral continua a mesma.

Brusque e sua região têm votos suficientes para eleger um deputado estadual.

O que decide o resultado não é a falta de eleitor.

É a divisão deles.

 

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Fábio Roberto de Souza é jornalista, atuando como colunista e articulista do BN Brasil e colaborando com diversos veículos de comunicação. Desenvolve análises e conteúdos voltados à política, economia, educação, direitos do consumidor e temas institucionais, com foco na informação responsável, no debate público qualificado e na defesa do interesse coletivo - instagram: @fabiorobertodesouzas