CÚMPLICES: Lula só enganou quem quis ser enganado

Por Fábio Roberto de Souza

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Em 2018, antes de ser condenado em segunda instância e tornar-se oficialmente ficha-suja, iniciando o cumprimento da pena imposta pela Operação Lava Jato, Lula já deixava claro qual seria sua visão de governo: gastar mais, gastar sempre, gastar sem limites — como se o dinheiro público fosse infinito e como se a conta jamais chegasse ao bolso do cidadão comum. Para mentes despreparadas em economia, essa promessa soa sedutora; afinal, o Brasil carece de infraestrutura e investimentos. Mas para qualquer pessoa minimamente informada, trata-se de uma fórmula antiga, irresponsável e perigosamente populista: gastar hoje, colher votos agora e deixar a ruína para depois.

Lula e o PT jamais foram ingênuos. Sempre souberam exatamente o poder desse discurso simplista, emocional e enganoso sobre parcelas da população.

Em 2018, mesmo com o histórico de escândalos e condenações, setores da elite econômica, financeira e da grande mídia flertaram com esse projeto. Em 2022, repetiram o erro — ou o cálculo — e, com o auxílio de decisões controversas e de uma atuação eleitoral amplamente questionada, Lula retornou ao poder, trazendo consigo o mesmo receituário fracassado, acrescido de um desprezo ainda mais explícito pela responsabilidade fiscal.

Ele nunca prometeu austeridade. Nunca prometeu responsabilidade. Nunca prometeu contenção. Prometeu gasto, expansão do Estado, aumento de impostos e tolerância com inflação e déficit — e foi exatamente isso que entregou.

Após assumir o poder, Lula fez o que sempre fez: criou ministérios, multiplicou cargos, inchou a máquina pública, elevou despesas e reforçou a velha estratégia de dividir o país entre “nós” e “eles”, alimentando ressentimento, conflito e instabilidade. E, como era previsível para qualquer observador honesto, voltaram também as suspeitas, os escândalos, os desvios e a velha narrativa conveniente de que “não sabia de nada”.

Nada disso foi surpresa. Nada disso foi escondido. Nada disso foi imprevisto.

Quem votou em Lula para um terceiro mandato sabia — ou deveria saber — que não estava escolhendo um governo do bem, da responsabilidade ou da reconstrução moral. Estava escolhendo um projeto movido por revanche política, expansão descontrolada do Estado e uso intensivo do dinheiro público para sustentar poder, privilégios e interesses próprios. Não foi um erro inocente; foi uma decisão consciente, tomada apesar do histórico amplamente conhecido.

E decisões conscientes geram responsabilidade.

Ao apoiar esse projeto, muitos não apenas ignoraram os sinais evidentes de risco, mas ajudaram a pavimentar um caminho de deterioração institucional, aumento da dívida, sufocamento econômico e perda de perspectivas para as próximas gerações.

Tornaram-se cúmplices políticos de um modelo que consome o presente e compromete o futuro — deixando como herança um país mais endividado, mais inseguro e mais desigual.

Hoje, passados anos de déficits crescentes, aumento da carga tributária, aproximação com regimes autoritários e sucessivas denúncias de irregularidades, a popularidade do governo cai e até antigos aliados demonstram desconforto. Mas a indignação tardia não apaga a responsabilidade de quem ajudou a recolocar no poder um projeto cujo histórico era público, notório e amplamente documentado.

O fato é simples e incômodo: Lula só enganou quem quis ser enganado.

E se, diante de tudo isso, novamente lhe for concedido poder, o roteiro já está escrito. Mais gastos, mais impostos, mais dívida, mais inflação e menos crescimento. Não por acaso, mas por escolha deliberada.

Porque, no fim, o populismo sempre cobra seu preço — e quem paga essa conta não são os governantes, nem seus aliados, nem os beneficiários do sistema. São os cidadãos comuns, os trabalhadores e, sobretudo, as futuras gerações, condenadas a herdar um país mais pobre, mais instável e com menos esperança.

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Fábio Roberto de Souza é jornalista, atuando como colunista e articulista do BN Brasil e colaborando com diversos veículos de comunicação. Desenvolve análises e conteúdos voltados à política, economia, educação, direitos do consumidor e temas institucionais, com foco na informação responsável, no debate público qualificado e na defesa do interesse coletivo - instagram: @fabiorobertodesouzas