CAÇADA JUDICIAL SUJA: Gilmar Mendes pede que PGR investigue relator da CPI do Crime Organizado

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O que fez o ministro Gilmar Mendes não é apenas uma reação institucional. É um recado claro — e preocupante — de como parte do Supremo Tribunal Federal passou a lidar com qualquer tentativa de ser questionado: atacando quem ousa fiscalizar.

Um senador da República, Alessandro Vieira, no exercício legítimo de suas atribuições em uma CPI, aponta possíveis responsabilidades. A resposta? Um pedido para que ele próprio seja investigado. Não é difícil entender o efeito disso: intimidação institucional travestida de formalidade jurídica.

O discurso de “desvio de finalidade” soa quase irônico. Afinal, o que exatamente se espera de uma CPI, senão investigar, apontar e, se for o caso, sugerir indiciamentos? Ou agora investigar ministros virou crime — e questionar o topo do Judiciário passou a ser proibido na prática?

O problema aqui não é apenas o ato isolado. É o padrão. Sempre que o cerco se aproxima, sempre que há incômodo, a reação vem rápida, dura e direcionada. Não para esclarecer — mas para contra-atacar. Não para prestar contas — mas para reafirmar poder.

O que deveria ser uma Corte constitucional começa a dar sinais perigosos de se enxergar como uma instância inalcançável, onde críticas são tratadas como afrontas pessoais e respostas institucionais ganham contornos de defesa corporativa.

E isso corrói algo muito mais grave do que um embate político: corrói a confiança. Porque quando a mais alta Corte do país reage como se estivesse acima de qualquer questionamento, a mensagem que fica é simples — e devastadora: há quem possa tudo, e há quem não possa sequer perguntar.

Democracia não combina com intocáveis. Muito menos com reações que lembram mais proteção de poder do que compromisso com transparência.

Se investigar virou problema… o problema claramente não está em quem investiga.