HOJE ELE É SANTO. APROVADO(...): “Ninguém pode ser investigado a vida inteira”, diz Messias sobre Inquérito das Fake News
Hoje, ele se apresenta como o guardião das garantias — alguém que sugere que, sob sua futura atuação, todos os atos seriam quase “santificados” pelo manto da legalidade. Mas a experiência recente mostra exatamente o oposto: depois de aprovados, os discursos se dissipam e dão lugar a práticas que muitos consideram abusivas, desproporcionais e, para usar a mesma metáfora, absolutamente “satânicas” em seus efeitos.
A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal escancara mais um capítulo da ocupação política de instituições que deveriam ser, por essência, técnicas e imparciais. Não se trata apenas de um nome — trata-se de um histórico. Messias não surge como um jurista distante de disputas ideológicas, mas como figura diretamente vinculada ao projeto de poder do Luiz Inácio Lula da Silva e do Partido dos Trabalhadores.
Durante sua sabatina, ao afirmar que “ninguém pode ser investigado a vida inteira”, Messias toca em um ponto sensível — mas o faz dentro de um contexto que revela contradição. O próprio sistema que hoje critica foi sustentado, ampliado e legitimado por atores políticos com os quais mantém alinhamento. O Inquérito das Fake News, conduzido sob relatoria de Alexandre de Moraes, é o maior exemplo dessa distorção: um procedimento sem prazo claro, com escopo elástico e sob sigilo, que há anos levanta questionamentos sobre limites constitucionais.
A fala de Messias soa, portanto, menos como convicção e mais como conveniência. Critica-se o instrumento, mas não o sistema que o sustenta. Questiona-se o prazo, mas não o poder concentrado. E, sobretudo, evita-se enfrentar o cerne da questão: o uso político de mecanismos judiciais.
A indicação, nesse cenário, não é apenas discutível — é simbólica. Representa a continuidade de um modelo em que aliados ocupam posições-chave, consolidando uma engrenagem onde Executivo e Judiciário passam a operar em sintonia preocupante. A promessa de “aperfeiçoamento” do Supremo, feita pelo próprio indicado, perde força diante do evidente conflito entre discurso e prática.
No fim, o que se observa é um ciclo previsível: antes da aprovação, discursos equilibrados, garantistas e quase idealizados. Depois da nomeação, decisões que frequentemente ampliam poderes, restringem liberdades e aprofundam a desconfiança institucional.
E é exatamente por isso que a crítica não pode ser superficial. Não se trata de uma pessoa apenas — mas de um método. Um método que, pouco a pouco, transforma instituições de Estado em instrumentos de governo.