Rodovia Antônio Heil - Uma verdadeira roleta russa
Por Fábio Roberto de Souza
Temos muito a agradecer aos esforços de empresários, entidades representativas, Prefeitura, lideranças políticas e, enfim, de todos que contribuíram para o recapeamento e a melhoria da rodovia Antônio Heil.
Sabemos, também, que as obras ainda não estão totalmente concluídas, embora já existam trechos finalizados. E nós, que utilizamos praticamente todos os dias essa rodovia, conhecemos de perto a sua importância — não apenas para a mobilidade, mas para a economia regional.
Estamos falando de um trecho de apenas 22 quilômetros por onde circulam bilhões em produção. É por ali que se escoa riqueza, que chegam insumos e que se movimenta um dos principais eixos comerciais da região.
E aqui cabe um ponto fundamental: embora se trate de uma rodovia federal (BR), há um acordo de cooperação entre Estado e União para a execução das obras e intervenções. Ou seja, não há ausência de responsabilidade — há, sim, corresponsabilidade.
Justamente por isso, torna-se ainda mais inaceitável a atual condição da sinalização da rodovia.
Durante a noite, praticamente só trafega com segurança quem já conhece bem o trajeto. Quem não conhece, ou evita utilizar a via, ou acaba exposto a riscos graves — como o acidente ocorrido e amplamente divulgado no último dia 8 de abril, na região do Arraial dos Cunha.
E o mais preocupante: isso não foi uma surpresa.
Sempre que passava por aquele trecho, especialmente à noite, era inevitável pensar: “aqui vai acontecer um acidente”. Na quinta-feira anterior ao ocorrido, fiz novamente essa mesma observação.
Dias depois, na quarta-feira, o que se temia aconteceu. Um caminhão, diante da ausência de sinalização adequada, não percebeu uma elevação na pista, perdeu o controle e acabou tombando sobre a divisão entre as pistas.
Por providência divina, não houve vítimas — nem o condutor, nem possíveis veículos no sentido contrário.
Mas fica o alerta.
Não adianta apenas recapear. Não adianta apenas refazer acessos.
É indispensável sinalizar — e sinalizar com qualidade, visibilidade e segurança.
Antes que tragédias maiores aconteçam.
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Fábio Roberto de Souza é jornalista, atuando como colunista e articulista do BN Brasil e colaborando com diversos veículos de comunicação. Desenvolve análises e conteúdos voltados à política, economia, educação, direitos do consumidor e temas institucionais, com foco na informação responsável, no debate público qualificado e na defesa do interesse coletivo - instagram: @fabiorobertodesouzas