Gilmar Mendes e o Supremo da revanche: quando a toga vira instrumento de intimidação
O Brasil vive um momento perigoso — e não é exagero dizer isso. Quando um ministro do Supremo Tribunal Federal passa a agir como parte interessada, ofendido, acusador e, ao mesmo tempo, indutor de investigações, a linha entre Justiça e abuso simplesmente desaparece.
O episódio envolvendo Gilmar Mendes e Romeu Zema escancara um problema que há anos muitos fingem não ver: o STF deixou de ser apenas Corte Constitucional para, em alguns casos, se comportar como ator político com poder absoluto — e sem freios.
A informação de bastidores de que haveria pressão sobre a Procuradoria-Geral da República para incluir Zema em investigação não é apenas grave — é corrosiva. Porque, se confirmada, não estamos diante de Justiça. Estamos diante de uso institucional para ajuste de contas.
E aí vem o ponto mais incômodo: não basta ter poder — é preciso parecer imparcial. E isso claramente já não preocupa certos gabinetes.
O que se vê é um padrão: críticas viram “ataques à democracia”, adversários viram investigados, e o sistema se fecha em torno de si mesmo, como um clube onde ninguém pode ser contrariado sem sofrer consequências.
O cidadão comum assiste a tudo isso com uma sensação crescente de impotência. Afinal, quem julga os julgadores quando eles parecem agir movidos por vaidade, irritação ou — pior — espírito de revanche?
O Supremo deveria ser o último bastião de equilíbrio institucional. Mas, quando parte de seus membros passa a agir como se estivesse acima de qualquer controle, o recado é brutal: no Brasil, o problema já não é só quem tem poder — é quem não tem limite.