Milhões em oração, perseguição em ação: ativismo ideológico tenta calar Frei Gilson e a fé cristã no Brasil

Por Fábio Roberto de Souza

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Em um país onde criminosos contumazes frequentemente encontram discursos relativizadores, causa perplexidade observar a velocidade com que setores ideológicos se mobilizam para tentar criminalizar líderes religiosos que arrastam multidões justamente por pregarem fé, valores familiares, espiritualidade e moral cristã.

O caso envolvendo o sacerdote Frei Gilson escancara uma realidade cada vez mais evidente no Brasil contemporâneo: parte do ativismo político-identitário não suporta manifestações públicas de religiosidade cristã quando estas alcançam milhões de pessoas e exercem influência social real.

Seguido por milhões de fiéis nas redes sociais, reunindo multidões em eventos religiosos e tornando-se um dos maiores fenômenos de evangelização do país, Frei Gilson passou a ser alvo de representação ao Ministério Público de São Paulo após falas extraídas de pregações religiosas sobre sexualidade, pecado, comportamento moral e estrutura familiar segundo a doutrina católica tradicional.

O curioso é que aquilo que durante séculos foi tratado como entendimento doutrinário interno de diversas religiões agora passou a ser interpretado, por militantes ideológicos, como potencial infração penal simplesmente porque contraria agendas políticas modernas. Não se discute mais a liberdade de crença. Discute-se, na prática, a tentativa de impor silêncio religioso seletivo.

A representação apresentada pelo jornalista e ex-noviço Brendo Silva afirma que “liberdade religiosa não é liberdade para odiar”. A frase soa bonita em manchetes, mas abre uma discussão perigosíssima: quem definirá o que é “ódio”? Um promotor? Um militante? Um grupo político organizado? Ou a tradição religiosa de milhões de brasileiros deixará de existir porque desagrada setores barulhentos das redes sociais?

É importante lembrar que, até o momento, não existe condenação, denúncia criminal aceita ou decisão judicial contra Frei Gilson. O que existe é uma representação em análise. Ainda assim, parte da máquina ideológica já atua como tribunal moral antecipado, tentando transformar divergência religiosa em crime de opinião.

O episódio revela algo maior: a crescente intolerância de determinados setores da esquerda contra qualquer liderança cristã que não se curve integralmente ao progressismo contemporâneo. Curiosamente, os mesmos grupos que discursam diariamente sobre “diversidade” demonstram baixíssima tolerância quando a diversidade envolve fé cristã conservadora, leitura bíblica tradicional ou defesa de princípios religiosos históricos.

Não se trata aqui de incentivar hostilidade contra ninguém. Trata-se de reconhecer que liberdade religiosa inclui o direito de igrejas, padres, pastores e líderes espirituais professarem suas crenças — inclusive quando elas contrariam tendências culturais ou agendas políticas dominantes em determinados círculos acadêmicos e midiáticos.

A Constituição Federal protege a liberdade de culto, consciência e manifestação religiosa exatamente porque uma democracia madura não pode funcionar apenas para opiniões aprovadas ideologicamente.

O que preocupa muitos brasileiros é perceber que há uma tentativa cada vez mais evidente de transformar púlpitos em locais permanentemente vigiados pelo patrulhamento político. Hoje é um padre católico. Amanhã poderá ser qualquer líder religioso que cite textos sagrados considerados “incômodos” por grupos militantes.

Frei Gilson tornou-se gigante justamente porque milhões de pessoas enxergam nele algo que o ativismo ideológico jamais conseguiu compreender: fé, acolhimento, espiritualidade e esperança em tempos de vazio moral e profundo adoecimento social.

E talvez seja exatamente isso que incomode tanto determinados setores.

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Fábio Roberto de Souza é jornalista, atuando como colunista e articulista do BN Brasil e colaborando com diversos veículos de comunicação. Desenvolve análises e conteúdos voltados à política, economia, educação, direitos do consumidor e temas institucionais, com foco na informação responsável, no debate público qualificado e na defesa do interesse coletivo - instagram: @fabiorobertodesouzas