Querem matar ele também?
A notícia de que a Polícia do Senado abriu uma apuração para verificar informações sobre um suposto atentado contra o senador Flávio Bolsonaro deveria provocar uma reação imediata de indignação nacional. Mas não foi isso que aconteceu.
Em qualquer democracia séria, a simples possibilidade de uma ameaça contra um parlamentar da República seria tratada como assunto de extrema gravidade. Afinal, não se trata apenas da segurança de um indivíduo, mas da proteção das próprias instituições democráticas.
O que mais chama atenção é o silêncio seletivo. Os mesmos grupos que costumam erguer discursos inflamados sobre democracia, tolerância e respeito às diferenças parecem perder a voz quando o alvo pertence ao campo conservador. A preocupação desaparece. A solidariedade evapora. O assunto passa a ser tratado com relativização ou ironia.
Os fatos ainda estão sendo apurados. Não há conclusão oficial sobre a veracidade das denúncias. E justamente por isso a investigação precisa avançar com rigor absoluto. Mas o que já causa espanto é a aparente naturalização de ameaças e hostilidades dirigidas a figuras públicas que desafiam determinadas narrativas políticas.
O Brasil atravessa um período preocupante de radicalização. O debate de ideias vem sendo substituído por campanhas de destruição moral, perseguições, intimidações e tentativas permanentes de silenciar adversários. Quando isso acontece, perde a democracia. Perde o país.
Flávio Bolsonaro é hoje uma das principais lideranças da oposição nacional. Concorde-se ou não com suas posições, sua atuação política incomoda grupos poderosos, desafia interesses estabelecidos e participa ativamente de debates sobre segurança pública e combate ao crime organizado. Isso, por si só, já exige atenção redobrada das autoridades.
Se as informações investigadas forem falsas, que os responsáveis respondam por espalhar acusações sem fundamento. Se houver qualquer elemento de verdade, estaremos diante de um episódio gravíssimo que exige resposta firme do Estado.
O que não pode acontecer é o Brasil chegar ao ponto em que ameaças contra adversários políticos sejam recebidas com indiferença por aqueles que se apresentam como defensores da democracia.
Democracia não é proteger apenas quem pensa igual. Democracia é garantir que ninguém seja intimidado, perseguido ou ameaçado por suas convicções políticas.
E isso vale para todos.