A tristeza de Amin e o debate que importa
A mais recente declaração de Lula provocou forte reação em diversos setores da sociedade e da classe política. Ao demonstrar desconforto com a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, Lula acabou trazendo à tona uma discussão que vai muito além da diplomacia e das relações internacionais.
Em Santa Catarina, o senador Esperidião Amin reagiu de forma firme e objetiva, conduzindo o debate para aquilo que realmente preocupa a população: a escalada do crime organizado e a crescente sensação de insegurança vivida pelos brasileiros.
Amin tocou no ponto central da questão. O problema não está na posição adotada por Washington, mas na incapacidade demonstrada pelo governo federal de enfrentar com a necessária firmeza o avanço das facções criminosas dentro do território nacional.
A discussão não deveria girar em torno de narrativas ideológicas ou disputas retóricas sobre soberania. Nenhum brasileiro sério deseja qualquer forma de intervenção estrangeira ou relativização da independência nacional. A soberania do Brasil é um patrimônio inegociável e deve ser defendida por todos.
Mas existe uma pergunta que não pode ser ignorada: de que soberania estamos falando quando organizações criminosas controlam territórios, impõem regras próprias, exploram comunidades inteiras, recrutam adolescentes para o tráfico, movimentam bilhões em atividades ilícitas e desafiam diariamente o Estado?
A verdadeira ameaça à soberania brasileira não vem de declarações feitas em Washington. Ela surge quando facções criminosas conseguem exercer, em determinadas regiões, mais influência sobre a vida das pessoas do que o próprio poder público.
Há anos especialistas em segurança pública alertam para o fortalecimento dessas organizações. O avanço do crime organizado não é apenas um problema policial. Trata-se de um desafio institucional, social e econômico que corrói a autoridade do Estado e enfraquece a confiança da população nas instituições.
Foi justamente essa realidade que Esperidião Amin destacou ao comentar o episódio. Em vez de concentrar a discussão em questões diplomáticas, o senador chamou atenção para aquilo que afeta diretamente a vida dos brasileiros: a necessidade urgente de recuperar espaços dominados pelo crime, fortalecer as forças de segurança e garantir que a lei prevaleça em todo o território nacional.
O cidadão comum não quer ver o Brasil submetido a interesses estrangeiros. Mas também não aceita assistir, passivamente, ao crescimento de facções que expandem seu poder enquanto milhões de brasileiros convivem com o medo, a violência e a ausência do Estado.
A soberania nacional não é preservada apenas por discursos. Ela se materializa quando o Estado exerce sua autoridade, protege seus cidadãos e garante que nenhum grupo criminoso possa se colocar acima da lei.
Ao trazer essa reflexão para o centro do debate, Esperidião Amin contribui para uma discussão necessária e urgente. Porque, antes de qualquer embate diplomático, o Brasil precisa responder a uma questão fundamental: quem exerce o verdadeiro controle sobre cada pedaço do território nacional, o Estado brasileiro ou o crime organizado?
Essa é a pergunta que permanece sem resposta. E é justamente por isso que o debate não pode ser adiado.