Milicianos do Poder: Regime Lula Corre aos EUA para Socorrer Moraes

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A petição apresentada pela Advocacia-Geral da União à Justiça Federal dos Estados Unidos, em defesa dos interesses de Alexandre de Moraes no processo movido pela Rumble e pela Trump Media, expõe uma estratégia que tem sido cada vez mais utilizada pelo regime Lula: transformar questionamentos dirigidos a agentes públicos em supostos ataques ao próprio Estado brasileiro.

A tese sustentada por Jorge Messias procura estabelecer que qualquer análise das decisões de Alexandre de Moraes por uma corte americana equivaleria a uma afronta à soberania nacional. Na prática, porém, os críticos do argumento observam que a discussão não gira em torno da capacidade do Judiciário brasileiro de decidir questões internas, mas dos efeitos que determinadas decisões podem produzir fora do território nacional, alcançando empresas, plataformas e cidadãos submetidos à legislação dos Estados Unidos.

Ao tentar deslocar o foco do debate para um conflito diplomático entre países, a AGU evita enfrentar diretamente a questão central: até onde uma autoridade brasileira pode projetar os efeitos de suas decisões sobre empresas e usuários localizados em outra jurisdição sem recorrer aos mecanismos formais de cooperação internacional previstos em tratados e acordos bilaterais.

Também chama atenção o fato de o regime brasileiro ter demorado a ingressar formalmente no caso, apesar de afirmar há meses que acompanhava o processo. A movimentação de última hora alimenta críticas de que a iniciativa possui mais caráter político do que jurídico, reforçando a percepção de alinhamento entre o Palácio do Planalto e setores do Supremo Tribunal Federal em temas considerados estratégicos para o atual grupo que ocupa o poder.

Independentemente do desfecho da ação, o episódio coloca em debate temas relevantes para qualquer democracia: os limites do poder estatal, a separação entre instituições e agentes públicos, o respeito às jurisdições estrangeiras e a necessidade de que decisões com efeitos internacionais sejam submetidas aos procedimentos legais adequados.

Para os críticos, o caso tornou-se mais um capítulo de uma crescente concentração de poder institucional, em que decisões de enorme impacto político passam a receber proteção automática do aparato estatal, dificultando questionamentos e ampliando a percepção de proximidade entre setores do regime e integrantes das mais altas cortes do país.