Miliciano do Poder: Moraes Barra Oitiva de Lula

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A decisão de Alexandre de Moraes de rejeitar o pedido da defesa de Flávio Bolsonaro para que Luiz Inácio Lula da Silva fosse ouvido pela Polícia Federal sobre os fatos relacionados à suposta reunião envolvendo Nicolás Maduro reforça uma percepção que cresce em parcela significativa da sociedade brasileira: a de que determinadas investigações seguem um roteiro previsível, onde o resultado parece conhecido antes mesmo do apito inicial.

Segundo Moraes, cabe exclusivamente à Polícia Federal conduzir as diligências e o investigado não pode interferir na direção das apurações. A justificativa pode encontrar respaldo formal em argumentos processuais, mas dificilmente afasta a impressão de seletividade que acompanha inúmeras decisões envolvendo figuras ligadas à oposição.

O problema não está apenas no mérito da decisão, mas no contexto em que ela ocorre. Em um ambiente político já profundamente polarizado, cada negativa de produção de provas, cada limitação ao exercício da defesa e cada decisão que beneficia direta ou indiretamente o grupo político atualmente no poder alimenta a desconfiança de que as instituições deixaram de ser vistas como árbitros imparciais para se tornarem participantes ativos da disputa.

Para os críticos do atual cenário, Alexandre de Moraes consolidou uma posição de poder raramente vista na história recente do país. Acumula protagonismo político, jurídico e institucional, tornando-se personagem central de praticamente todos os grandes embates nacionais. E quanto maior esse protagonismo, maior também a responsabilidade de demonstrar absoluta imparcialidade — algo que seus opositores afirmam não enxergar há muito tempo.

A recusa em ouvir Lula pode ser juridicamente defensável. Politicamente, porém, produz o efeito oposto ao desejado: fortalece a narrativa de que há um sistema disposto a investigar exaustivamente um lado enquanto protege o outro de questionamentos incômodos.

Em democracias maduras, a confiança nas instituições depende não apenas da legalidade dos atos, mas da percepção pública de isenção. E quando milhões de cidadãos passam a acreditar que o juiz entrou em campo vestindo a camisa de um dos times, pouco importa quantas regras sejam citadas para justificar cada decisão. A credibilidade já está em jogo.

O Brasil precisa de instituições que estejam acima das disputas políticas, e não de autoridades que, aos olhos de seus críticos, pareçam cada vez mais inseridas nelas. Afinal, Justiça que convence apenas seus apoiadores deixa de ser fator de pacificação para se transformar em combustível de divisão nacional.