Trump chama Lula de "volátil" e diz não se importar com o brasileiro
Por Fábio Roberto de Souza
A política externa de um país não pode ser conduzida com o improviso, o voluntarismo e a retórica de um líder sindical da década de 1980. Infelizmente, é exatamente essa impressão que Luiz Inácio Lula da Silva transmite cada vez que sobe ao palco internacional.
Os Estados Unidos representam um dos parceiros comerciais, tecnológicos, financeiros e estratégicos mais importantes do Brasil. Independentemente de quem ocupe a Casa Branca, cabe ao presidente brasileiro preservar uma relação institucional madura, previsível e pragmática. Não se trata de submissão, mas de responsabilidade de Estado.
Em vez disso, Lula frequentemente prefere transformar encontros diplomáticos em palanques políticos. Em viagens oficiais, não são raros episódios que desviam a atenção da agenda principal, seja por declarações polêmicas, seja por rompantes que criam constrangimentos desnecessários ou desgastam protocolos diplomáticos. O protagonismo acaba sendo conquistado não pelos interesses do Brasil, mas pelas controvérsias geradas por seu próprio comportamento.
As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que "não poderia se importar menos" com Lula e de que o brasileiro seria hoje uma pessoa "muito volátil", podem até refletir uma avaliação política pessoal de Trump. Ainda assim, elas evidenciam um relacionamento bilateral que atravessa um momento de evidente desgaste.
A resposta de Lula, ironizando Trump e afirmando que levaria uma urna eletrônica para explicar o sistema eleitoral brasileiro, novamente deslocou o foco daquilo que realmente interessa: comércio, investimentos, inovação, segurança jurídica e cooperação internacional. Em vez de fortalecer pontes, a diplomacia brasileira frequentemente passa a alimentar disputas retóricas que pouco acrescentam aos interesses nacionais.
O Brasil necessita de uma política externa baseada em resultados, não em performances ideológicas. O mundo vive uma intensa competição econômica, tecnológica e geopolítica. Nesse cenário, presidentes são cobrados pela capacidade de abrir mercados, atrair investimentos e ampliar oportunidades para sua população — e não por colecionar manchetes decorrentes de provocações políticas.
Há uma percepção crescente de que Lula permanece preso a referências de um período histórico que já não existe. A Guerra Fria terminou há décadas. O cenário internacional deixou de ser dividido entre blocos ideológicos e passou a ser marcado pela disputa por competitividade, inovação, cadeias globais de produção e segurança econômica.
O problema não é apenas a idade do presidente. Envelhecer é inevitável. O que preocupa é a aparente dificuldade em adaptar sua visão de mundo às transformações ocorridas nas últimas décadas.
Enquanto o planeta discute inteligência artificial, reindustrialização, segurança energética e competição tecnológica, Lula frequentemente parece enxergar a política internacional pelas lentes ideológicas que marcaram o século passado. Em muitos momentos, transmite a impressão de continuar vivendo sob a sombra da Cortina de Ferro, como se o mundo ainda estivesse dividido entre os antagonismos da segunda metade do século XX.
O Brasil merece uma política externa que fale menos para as plateias ideológicas e mais para os interesses permanentes da nação. Em diplomacia, discursos inflamados podem render aplausos momentâneos, mas são resultados concretos, credibilidade e previsibilidade que geram empregos, investimentos e prosperidade.
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Fábio Roberto de Souza é jornalista, atuando como colunista e articulista do BN Brasil e colaborando com diversos veículos de comunicação. Desenvolve análises e conteúdos voltados à política, economia, educação, direitos do consumidor e temas institucionais, com foco na informação responsável, no debate público qualificado e na defesa do interesse coletivo - instagram: @fabiorobertodesouzas