AMÉRICA SE LIVRANDO DA ESQUERDA: Com Espriella eleito e Fujimori quase, direita se aproxima de virada na América do Sul

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A vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia e a liderança de Keiko Fujimori na apuração presidencial do Peru reforçam um movimento político que vem se consolidando na América do Sul: o crescente desgaste dos governos de esquerda e a ascensão de candidatos identificados com pautas de centro-direita e direita.

Quando Luiz Inácio Lula da Silva iniciou seu terceiro mandato, em janeiro de 2023, a esquerda dominava amplamente o mapa político sul-americano. Poucos anos depois, esse cenário mudou de forma significativa. As derrotas eleitorais na Bolívia e no Chile, a reeleição de Daniel Noboa no Equador e agora as mudanças na Colômbia e no Peru demonstram que parte expressiva do eleitorado decidiu cobrar resultados concretos em vez de discursos ideológicos.

Para muitos analistas, o principal fator dessa mudança é a insatisfação popular com governos que prometeram crescimento, redução das desigualdades e fortalecimento do Estado, mas terminaram marcados por baixo crescimento econômico, aumento da insegurança, deterioração das contas públicas e perda de confiança nas instituições.

O caso boliviano simboliza esse desgaste. O Movimento ao Socialismo (MAS), que governava o país praticamente desde 2006, sequer conseguiu disputar o segundo turno, encerrando um longo ciclo político que parecia inabalável.

No Chile, na Colômbia e no Peru, a pauta da segurança pública ganhou enorme relevância diante do avanço do crime organizado, enquanto questões como inflação, desemprego, custo de vida e instabilidade econômica passaram a pesar mais do que antigas divisões ideológicas.

A percepção de parte do eleitorado é que muitos governos de esquerda ampliaram o tamanho do Estado, elevaram gastos públicos e aumentaram a carga tributária sem entregar serviços públicos na mesma proporção. Esse sentimento tem impulsionado candidatos que defendem responsabilidade fiscal, combate firme à criminalidade, incentivo ao investimento privado e maior previsibilidade econômica.

Especialistas apontam que essa mudança não representa necessariamente uma adesão irrestrita à direita, mas uma reação ao desgaste acumulado por administrações consideradas incapazes de responder às principais demandas da população. Em democracias, quando governos deixam de apresentar resultados, o eleitor costuma buscar alternativas.

Com a eleição brasileira de outubro se aproximando, o movimento observado em diversos países da América do Sul poderá influenciar também o debate nacional. O resultado mostrará se essa tendência regional continuará se fortalecendo ou se encontrará limites no maior país do continente.