El Niño ganha força e eleva preocupação com chuva extrema e risco de enchentes no Sul do Brasil
Inverno começa sob influência de um dos fenômenos climáticos mais impactantes do planeta
O inverno astronômico de 2026 teve início oficialmente sob a influência do El Niño, cenário que amplia a atenção dos meteorologistas não apenas para a intensidade do frio, mas principalmente para o comportamento das chuvas no Sul do Brasil nos próximos meses.
Uma nova análise divulgada pela MetSul Meteorologia, de Porto Alegre (RS), reforça a tendência apontada pelos principais modelos climáticos internacionais: o segundo semestre deverá ser marcado por um padrão atmosférico mais instável, elevando o risco de episódios de chuva intensa, temporais e possíveis enchentes em diversas regiões sulistas.
Modelos mantêm projeção de El Niño forteDe acordo com o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall, as atualizações mais recentes mantêm praticamente inalterada a previsão de um El Niño de forte intensidade, sem sinais consistentes de enfraquecimento nas simulações realizadas até o momento.
Esse comportamento preocupa porque o fenômeno costuma favorecer um aumento significativo no volume de chuvas sobre o Sul do Brasil, especialmente entre o fim do inverno e o decorrer da primavera, período historicamente associado aos maiores impactos provocados pelo El Niño.
Segundo a MetSul, os modelos climáticos seguem apresentando um cenário persistente de instabilidade atmosférica, sem mudanças relevantes capazes de reduzir o potencial de eventos extremos durante os próximos meses.
Santa Catarina permanece em área de atençãoDentro desse cenário, Santa Catarina continua entre os estados que exigem monitoramento permanente.
O Vale do Itajaí, região historicamente vulnerável a enchentes, deslizamentos e cheias de rios durante episódios intensos de precipitação, permanece entre as áreas que merecem maior acompanhamento. Brusque, inserida nesse contexto geográfico, também figura entre os municípios que devem observar atentamente a evolução das condições meteorológicas ao longo do segundo semestre.
A MetSul ressalta, entretanto, que previsões de longo prazo não permitem determinar com precisão onde ou quando poderão ocorrer eventos extremos, servindo principalmente para indicar tendências climáticas e níveis de risco.
Mais importante do que o fenômeno é o impacto que ele pode provocarSegundo Luiz Fernando Nachtigall, neste momento o foco das análises deixa de estar concentrado apenas na intensidade do El Niño e passa a se voltar, sobretudo, para seus efeitos sobre o clima brasileiro.
Conforme explica a MetSul, o inverno representa o início de um período considerado decisivo para acompanhar a consolidação das projeções climáticas e compreender a dimensão dos impactos que poderão ocorrer ao longo do restante de 2026.
Caso o cenário atualmente projetado se confirme, o Sul do Brasil poderá enfrentar meses marcados por sucessivos episódios de chuva volumosa, exigindo atenção constante da população e dos órgãos de monitoramento.
Monitoramento constante será fundamentalDiante das atualizações mais recentes, a MetSul reforça que não há motivo para alarmismo, mas sim para acompanhamento permanente das previsões meteorológicas.
A evolução do El Niño será determinante para definir a intensidade dos impactos sobre o Sul do país, especialmente entre agosto e novembro, período em que historicamente aumentam as ocorrências de temporais, enchentes e outros eventos hidrológicos extremos.
Monitoramento do tempo no Vale do Itajaí-MirimNa sequência desta reportagem, você acompanha o levantamento completo das condições meteorológicas registrado durante a madrugada desta terça-feira em todo o Vale do Itajaí-Mirim.
Os dados foram coletados pelas estações meteorológicas de Ciro Groh e apresentam:
🔴 Temperaturas mínimas registradas após o amanhecer, destacadas em vermelho.
🔵 Acumulados de chuva observados entre a meia-noite e o início da manhã, destacados em azul.
O acompanhamento desses indicadores permite compreender com maior precisão o comportamento do tempo em cada município da região.