Deputado do PSOL quer extinguir o nome "Vale Europeu"
Quando a política prefere apagar a História em vez de construir o futuro
Há uma diferença enorme entre governar e desconstruir. Entre criar soluções para os problemas reais da população e gastar energia tentando apagar símbolos, tradições e identidades consolidadas ao longo de décadas.
É exatamente essa impressão que causa a iniciativa do deputado estadual de SC, Marquito (PSOL), ao propor a revogação da denominação oficial de Região Metropolitana do Vale Europeu.
Enquanto Santa Catarina enfrenta desafios na saúde, segurança, infraestrutura, mobilidade, desenvolvimento econômico e geração de empregos, parte da classe política parece considerar prioridade reescrever a identidade histórica de uma das regiões mais prósperas do Estado.
O nome Vale Europeu jamais significou exclusão de qualquer povo. Ele representa uma realidade histórica, cultural e turística reconhecida nacional e internacionalmente, construída pela forte influência de imigrantes alemães, italianos, poloneses, austríacos e tantos outros que transformaram a região em referência de trabalho, empreendedorismo, arquitetura, gastronomia e desenvolvimento.
Reconhecer essa herança nunca significou negar a importância dos povos indígenas, dos negros, dos caboclos ou de qualquer outro grupo que também participou da formação catarinense. Uma identidade histórica não elimina outra; ela apenas reconhece um aspecto marcante da construção de determinada região.
O mais curioso é que a própria denominação foi aprovada em 2024 com voto favorável do próprio parlamentar que agora pretende revogá-la. Em pouco mais de um ano, aquilo que era considerado adequado passou a ser tratado como um problema. Fica difícil compreender qual fato histórico mudou nesse curto intervalo.
Infelizmente, essa proposta reforça uma percepção que muitos brasileiros têm sobre parte da esquerda identitária: em vez de concentrar esforços na construção de políticas públicas capazes de melhorar efetivamente a vida das pessoas, dedica-se frequentemente à revisão permanente de símbolos, nomes, tradições e aspectos culturais já consolidados.
Enquanto empresários, trabalhadores e famílias aguardam soluções concretas para problemas que afetam o dia a dia, discute-se se uma região deve ou não continuar sendo chamada de Vale Europeu.
Felizmente, o deputado Napoleão Bernardes manifestou-se pela manutenção da nomenclatura, lembrando aquilo que parece óbvio: preservar uma identidade histórica não significa excluir ninguém. Pelo contrário. Significa respeitar a história que efetivamente moldou aquela região.
Uma sociedade madura não precisa apagar capítulos da sua história para reconhecer outros. A verdadeira inclusão soma histórias; não elimina aquelas que ajudaram a construir o presente.
Santa Catarina precisa de parlamentares preocupados em fortalecer sua economia, melhorar os serviços públicos, atrair investimentos e gerar oportunidades. Gastar tempo tentando desconstruir uma identidade regional consolidada dificilmente contribuirá para resolver qualquer dos desafios concretos enfrentados pelos catarinenses.
Porque construir exige trabalho, responsabilidade e visão de futuro. Desconstruir, muitas vezes, exige apenas uma caneta e uma justificativa ideológica.