CERTEZA DA IMPUNIDADE: Amiga de Lulinha pede ao STF para apurar vazamento de conversa

Por Fábio Roberto de Souza

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Poucas coisas são tão devastadoras para uma democracia quanto a sensação de que existem cidadãos submetidos ao rigor da lei e outros protegidos por uma espécie de blindagem política.

É justamente essa percepção que episódios como o das investigações sobre a fraude bilionária no INSS acabam alimentando na sociedade brasileira.

Enquanto milhões de aposentados e pensionistas tiveram seus benefícios saqueados por um esquema que, segundo a Polícia Federal, desviou bilhões de reais, o debate público parece deslocar-se rapidamente para outra direção: a origem do vazamento de conversas privadas envolvendo pessoas citadas nas investigações. Evidentemente, qualquer violação ilegal de sigilo deve ser apurada e punida. O Estado de Direito exige isso.

A empresária Roberta Luchsinger acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a apuração de um possível vazamento de conversas privadas mantidas com Fábio Luís Inácio Lula da Silva, o Lulinha. A medida foi apresentada pela defesa após a divulgação de informações sobre um suposto plano da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para utilizar os diálogos relacionados ao inquérito da fraude bilionária do INSS contra aposentados e pensionistas.

É um absurdo sem tamanho, somente possível de ser compreendido, quando aceitamos, tristemente, que o poder do ma tomou conta do Brasil.

Mas a pergunta que permanece para a população é inevitável: e o gigantesco esquema que lesou justamente os brasileiros mais vulneráveis?

É essa inversão de prioridades que fortalece a percepção de impunidade. Quando nomes ligados ao poder aparecem no contexto de grandes escândalos, a impressão transmitida é a de que as instituições passam a se movimentar com extrema cautela, enquanto o cidadão comum experimenta uma realidade muito diferente diante da Justiça.

A democracia depende não apenas da existência de leis, mas da confiança de que elas serão aplicadas com igualdade. Sempre que essa confiança é abalada, cresce o descrédito nas instituições, alimentando a convicção de que influência política, relações de poder e prestígio acabam produzindo tratamentos diferenciados.

O escândalo do INSS já representa uma das mais graves agressões ao patrimônio de aposentados e pensionistas da história recente. Mais grave ainda é a possibilidade de que o foco do debate deixe de ser a responsabilização integral dos envolvidos para concentrar-se em disputas paralelas, enquanto a sociedade continua aguardando respostas claras, punições efetivas e a recuperação dos recursos desviados.

Independentemente do partido político, do governo de ocasião ou da posição ideológica dos envolvidos, a lei precisa alcançar todos com a mesma intensidade. Se houver vazamento ilegal, que seja rigorosamente investigado. Se houver participação em crimes, que os responsáveis também respondam na forma da lei. O que não pode prosperar é a percepção de que existem brasileiros "com foro social privilegiado", protegidos por sua proximidade com os centros de poder.

Quando a população passa a acreditar que a impunidade é o patrimônio mais valioso dos poderosos, quem perde não é apenas um governo ou uma instituição. Perde a própria República. E recuperar essa confiança talvez seja o maior desafio institucional do Brasil contemporâneo.