Santa Catarina abre convenções com chapas praticamente definidas

Por

Talvez seja reflexo da decisão do governador Jorginho Mello (PL) de antecipar, ainda no fim de janeiro, a definição da chapa com que buscará a reeleição. Talvez seja consequência de um ambiente político cada vez mais acelerado pelas redes sociais, onde semanas equivalem a meses e longas negociações perderam espaço para decisões rápidas. Também pode ser resultado das mudanças na legislação eleitoral, que reduziram o tempo oficial de campanha e obrigaram partidos a encurtar o período entre a pré-candidatura e a candidatura formal. Muito provavelmente, trata-se da combinação de todos esses fatores.

O fato é que Santa Catarina iniciou, à partir desta segunda-feira, o período das convenções partidárias para as eleições de outubro com um cenário incomum. Diferentemente de disputas anteriores, praticamente não há suspense sobre a composição das principais chapas. As negociações decisivas foram concluídas muito antes do prazo final, marcado para 5 de agosto, eliminando o tradicional jogo de pressões que costumava empurrar as definições até os últimos dias – ou mesmo transferi-las às executivas partidárias para ganhar tempo.

Nesta eleição, o roteiro já está praticamente escrito. As convenções servirão muito mais para homologar acordos previamente costurados do que para decidir candidaturas. Tanto é que os três principais grupos políticos do Estado terão suas chapas oficializadas já em 1º de agosto, encerrando antecipadamente uma etapa que, em outros pleitos, costumava ser marcada por intensas disputas de bastidores e reviravoltas de última hora.

Esquerda oficializa chapa nesta terça-feira

O campo político alinhado ao Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será o primeiro a concluir esse processo. As convenções simultâneas do PSB, PDT, PSOL e da federação formada por PT, PCdoB e PV confirmam Gelson Merisio (PSB) como candidato ao governo, Angela Albino (PDT) como vice, além de Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) como candidatos ao Senado. Após os atos partidários, haverá um evento conjunto da coligação, às 19h, na Assembleia Legislativa.

A composição já era conhecida desde abril, quando Merisio foi anunciado como nome escolhido para liderar o palanque de Lula em Santa Catarina. A estratégia liberou Décio Lima — candidato ao governo em 2018 e 2022 — para concentrar esforços na disputa pelo Senado, aposta da esquerda em uma eleição que tende a ter forte pulverização entre os candidatos do campo conservador.

Jorginho e João Rodrigues no mesmo dia

Os dois principais blocos da centro-direita também concentrarão suas convenções em 1º de agosto.

Na Arena Opus, em São José, o governador Jorginho Mello oficializará sua candidatura à reeleição ao lado do vice Adriano Silva (Novo). A coligação reunirá PL, Novo, Republicanos, Podemos e PSDB, além de confirmar Carlos Bolsonaro e Carol de Toni como candidatos ao Senado pelo PL. A expectativa é de um grande ato político, semelhante ao realizado em maio durante a visita de Flávio Bolsonaro ao Estado.

Pouco mais de 18 quilômetros dali, na Assembleia Legislativa, o ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD) lançará oficialmente sua candidatura ao governo. A chapa terá Carlos Chiodini (MDB) como vice e Antídio Lunelli (MDB) e Esperidião Amin (PP) na disputa pelas duas vagas ao Senado.

MDB e PP ainda guardam os últimos movimentos

Embora as principais definições estejam consolidadas, MDB e PP ainda concentram as atenções pelos reflexos internos das alianças firmadas.

No MDB, desde que Antídio Lunelli foi incorporado à chapa de João Rodrigues, o entendimento predominante passou a ser de que a decisão está sacramentada. Em entrevista ao podcast SCC Upiara, o deputado estadual Fernando Krelling afirmou que a convenção deverá votar apenas uma proposta de coligação, sem apresentação de alternativas.

O principal debate passa a ser a situação dos dirigentes e filiados que continuarão apoiando a reeleição de Jorginho Mello. A tendência é que a convenção assegure liberdade para essas manifestações, evitando punições disciplinares e preservando pontes políticas para o futuro.

No PP, o cenário é semelhante. Apesar de haver lideranças favoráveis à permanência ao lado de Jorginho, a federação nacional com o União Brasil consolidou o apoio formal à candidatura de João Rodrigues. A estratégia em discussão é permitir que Esperidião Amin mantenha a estrutura partidária necessária à sua campanha ao Senado, enquanto prefeitos, vereadores e lideranças locais tenham maior liberdade para apoiar, individualmente, a candidatura ao governo que considerarem mais conveniente em seus municípios.

Assim, as convenções catarinenses de 2026 entram para a história como uma das menos imprevisíveis das últimas décadas. Em vez de definir candidaturas, os encontros partidários deverão apenas ratificar acordos construídos meses antes, evidenciando uma nova dinâmica da política estadual, marcada por decisões antecipadas e articulações cada vez mais rápidas.