Dívida pública sobe mais de 10 pontos percentuais no governo Lula 3
A dívida do setor público consolidado voltou a crescer em junho e atingiu 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 10,8 trilhões, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (31). Desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o indicador avançou 10,2 pontos percentuais, após encerrar 2022 em 71,7% do PIB.
O patamar é o mais elevado desde abril de 2021, período marcado pelos efeitos da pandemia de Covid-19, quando a dívida alcançou 82,6% do PIB. O índice também se aproxima do recorde histórico de 87,7% do PIB, registrado durante a crise sanitária.
Economistas acompanham esse indicador por refletir a capacidade do setor público de honrar seus compromissos financeiros. O aumento da dívida tende a elevar a percepção de risco fiscal, pressionar o custo de financiamento do país e dificultar a redução das taxas de juros ao longo do tempo, com impactos sobre investimentos, crédito e crescimento econômico.
Pelo critério adotado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que inclui os títulos públicos mantidos na carteira do Banco Central, a dívida brasileira é ainda maior: 95,8% do PIB em junho, muito próxima do recorde de 96,7% registrado em fevereiro de 2021.
A série histórica do Banco Central, iniciada em 2001, mostra que a dívida brasileira estava em torno de 67% do PIB naquele período. Ao final de 2025, pelo padrão do FMI, o endividamento do Brasil alcançou 93,4% do PIB, superando a média das economias emergentes (73,6%), da América Latina (71,1%), do Oriente Médio, da Ásia Central e da África Subsaariana.
Os números reforçam os desafios da política fiscal brasileira e evidenciam a necessidade de equilíbrio entre receitas e despesas públicas para conter o avanço da dívida e preservar a confiança na economia.