Amigo de Lulinha fechou + de 50 mi em contratos no ministério de coordenador político de Lula

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a abertura de um segundo inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A nova investigação apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo contratos da Dataprev, empresa pública responsável pela infraestrutura tecnológica e pelo processamento de dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A decisão atende a um pedido da Polícia Federal, que investiga a suposta atuação de Lulinha e da empresária Roberta Luchsinger na obtenção de contratos públicos em favor da empresa 3Structure IT. Segundo a investigação, a companhia firmou seis contratos com órgãos do governo federal que, somados, alcançam aproximadamente R$ 86 milhões.

Os maiores contratos foram celebrados com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), totalizando R$ 55 milhões. À época, a pasta era comandada por Wellington Dias (PT), aliado histórico de Luiz Inácio Lula da Silva, que recentemente deixou o ministério para assumir a coordenação política da campanha de reeleição.

Além do MDS, a 3Structure IT também firmou contratos com o Centro Integrado de Telemática do Exército, no valor de R$ 21,8 milhões, posteriormente acrescidos de R$ 3,6 milhões por meio de aditivos. A empresa também celebrou contratos com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), de aproximadamente R$ 2,5 milhões, e com a Telebras, todos relacionados a serviços de gerenciamento, sustentação e proteção de dados.

De acordo com a Polícia Federal, mensagens interceptadas entre Roberta Luchsinger e outros investigados fazem referência à expressão "Cleber na Data", interpretada pelos investigadores como uma possível menção a Cleber Ribas de Oliveira, que assumiu a presidência da Dataprev no período em que foram firmados contratos com o MDS.

Outro elemento apontado pela investigação é uma viagem realizada por Lulinha e Cleber Ribas em 15 de dezembro de 2024 para Foz do Iguaçu. Segundo a PF, as passagens foram emitidas sob o mesmo localizador, indicando a hipótese de que o deslocamento tenha sido custeado pelo empresário. Os investigadores também identificaram movimentações financeiras envolvendo a empresa do lobista Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", que teria realizado repasses à consultoria de Roberta Luchsinger, os quais, posteriormente, teriam sido direcionados à 3Structure IT.

Em depoimento à Polícia Federal, Cleber Ribas confirmou possuir amizade com Lulinha, mas negou qualquer intermediação do filho de Luiz Inácio Lula da Silva em negociações envolvendo órgãos do governo federal.

A abertura deste novo inquérito amplia a frente de investigações envolvendo Lulinha. Nesta mesma semana, André Mendonça também autorizou outra apuração para investigar suspeitas de tráfico de influência e corrupção relacionadas a negociações no âmbito do Ministério da Saúde.

Até o momento, tanto Lulinha quanto os demais investigados negam irregularidades. As investigações seguem em andamento e ainda não há conclusão definitiva sobre os fatos apurados.