MENTIROSO: Lula diz que não conhece Roberta Luchsinger, mas fotos mostram os dois juntos
Mais uma vez, Lula parece apostar na falta de memória dos brasileiros — e na esperança de que fotografias, mensagens e investigações policiais simplesmente desapareçam diante de uma negativa enfática.
Durante sabatina no Jornal Nacional, nesta quinta-feira (27), Lula afirmou que não conhece e que jamais esteve próximo da lobista Roberta Luchsinger, amiga de seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O problema é que as redes sociais da própria empresária guardam registros capazes de colocar em dúvida a versão apresentada pelo petista.
Há pelo menos três fotografias de Roberta ao lado de Lula. Em uma delas, ambos aparecem “fazendo o L”. Em outra, ela participa de um registro com Lula e a ministra do Superior Tribunal de Justiça Daniela Teixeira. Portanto, a declaração de que “nunca viu essa moça na vida” entra em choque direto com aquilo que as imagens mostram.
Não se trata, por si só, de prova de amizade, intimidade ou participação em qualquer ilícito. Mas é suficiente para demonstrar que a negativa absoluta de Lula não corresponde ao registro visual existente. Ao afirmar que nunca a viu, Lula não deixou margem para dúvida ou interpretação: fez uma afirmação categórica que as fotografias objetivamente enfraquecem.
Questionado sobre mensagens recuperadas pela Polícia Federal, nas quais Roberta teria afirmado que recebeu de Lula uma oferta de cargo no governo, o petista reagiu com agressividade e chamou a lobista de “pilantra”.
“Eu não conheço essa moça, eu nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próxima de mim”, declarou.
A estratégia é conhecida: quando alguém ligado ao entorno do poder passa a representar risco político, a resposta é negar qualquer proximidade, atacar a credibilidade da pessoa e esperar que a indignação substitua os esclarecimentos. O problema, desta vez, é que existem fotografias.
Em agosto de 2023, Roberta publicou uma imagem ao lado de Lula e de Daniela Teixeira, elogiando a indicação da jurista ao STJ:
“Excelente escolha do nosso presidente Lula para o STJ. A Daniela Teixeira com certeza fará a diferença com toda sua sabedoria jurídica. Além disso, teremos uma linda e elegante ministra!!! Viva a Dani!!! Viva as mulheres que estarão muito bem representadas!!!”
Em novembro de 2022, a lobista também publicou uma fotografia com Lula para parabenizá-lo pelo aniversário. Os registros não comprovam, isoladamente, uma relação pessoal próxima, mas tornam insustentável a afirmação literal de que Lula jamais teria visto aquela mulher.
A repercussão foi imediata. Flávio Bolsonaro publicou um vídeo confrontando a declaração de Lula com as fotografias e resumiu: “Mentir é tudo que ele sabe…”.
Romeu Zema também ironizou: “Você tem certeza que nunca viu ela na vida, Lula?”. Renan Santos compartilhou uma das imagens com a legenda: “Nunca vi e nem sei quem é essa mulher”.
O episódio seria apenas mais uma contradição pública se Roberta Luchsinger não estivesse inserida em uma investigação de enorme gravidade.
Em dezembro de 2025, ela foi alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que apura descontos ilegais realizados em aposentadorias e pensões do INSS. A partir da análise do celular apreendido, investigadores apontaram que a empresária teria trabalhado para Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e mantido proximidade com Lulinha.
Em depoimento prestado à Polícia Federal, Roberta admitiu ter apresentado o filho de Lula ao “Careca do INSS”, embora tenha negado qualquer repasse de dinheiro a Lulinha. As suspeitas de tráfico de influência continuam sob investigação e ainda dependem de apuração e eventual julgamento.
É justamente por isso que a resposta de Lula deveria ter sido precisa, transparente e responsável. Em vez disso, ele preferiu uma negativa absoluta, teatral e aparentemente incompatível com os registros disponíveis.
A pergunta central, portanto, permanece: se as fotografias mostram Lula ao lado de Roberta em diferentes ocasiões, por que ele afirmou, de maneira tão categórica, que nunca a viu?
Lula pode tentar discutir o grau de proximidade. Pode alegar que tira fotografias com inúmeras pessoas. Pode negar amizade, intimidade ou qualquer participação em irregularidades. O que não pode fazer é apagar as imagens e exigir que o país aceite, sem questionamento, uma versão contrariada pelos próprios registros públicos.
Quando um governante nega até aquilo que pode ser visto, fotografado e recuperado, torna-se inevitável questionar sua credibilidade sobre aquilo que ainda permanece escondido.
No entorno de Lula, personagens envolvidos em suspeitas frequentemente começam como conhecidos, tornam-se “pessoas distantes” e, quando a investigação aperta, acabam transformados em completos desconhecidos. A memória política do petista parece funcionar de acordo com a conveniência: aproxima-se nos momentos de celebração e desaparece quando surgem a Polícia Federal, celulares apreendidos e suspeitas de tráfico de influência.
As investigações devem respeitar o devido processo legal e a presunção de inocência. Mas Lula também precisa respeitar a inteligência dos brasileiros.
As fotografias não provam todos os crimes investigados. Provam, porém, que a frase “nunca vi essa moça na minha vida” não resiste ao confronto com a realidade.
E, mais uma vez, a realidade parece ser a principal adversária da narrativa de Lula.