Ele criou a permissão e por estar desesperado perdendo a Eleição, Lula anuncia fim das bets no Brasil

Por Fábio Roberto de Souza

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Não há mais como fingir surpresa. A nove dias do primeiro turno, acuado pelas pesquisas e enxergando a derrota no retrovisor, Luiz Inácio Lula da Silva fez o que todo político sem projeto faz quando o calendário aperta: rasgou o próprio discurso, desautorizou o que ele mesmo havia autorizado e assinou, na tarde desta sexta-feira (25/9), em São Paulo, uma medida provisória para arrancar as bets do país de um dia para o outro.

Chame as coisas pelo nome. Isso não é política pública: é medida politiqueira. Não é enfrentamento sério do jogo compulsivo, que exige debate, transição, regulação e cuidado com quem tem vício e com quem tem dinheiro preso nas plataformas — é medida eleitoreira, costurada sob medida para caber num palanque, transformar o pânico interno em palco e vender ao eleitor a fantasia de um regime que, de repente, "resolve" em um dia o que arrastou por anos. E, do ponto de vista da forma — que é o que importa num Estado que se diz de direito —, é uma medida irresponsável pela forma: um atropelo de prazos, um improviso administrativo, um canetaço que trata o ordenamento jurídico como rascunho e o cidadão como figurante.

Repare no que a MP entrega. Às 23h59 de 5 de outubro fecha-se a janela para o apostador resgatar o próprio dinheiro. No dia 6, as plataformas saem do ar. Nos dias 7 e 8, as bets repassam saldos por CPF. De 9 a 14 de outubro, quem devolve é o banco. Depois disso, se ninguém conseguiu, a Caixa assume - "a Caixa", NÓS! E o que sobrar em 180 dias vai para a conta da Caixa. Traduzindo: o regime perdido petista criou em cinco parágrafos uma engenharia financeira de risco, empurrando para bancos, plataformas e uma estatal bilhões de reais de terceiros — sem transição, sem teste, sem plano B. Isso não é governar? É apostar com o dinheiro alheio, exatamente o vício que a MP diz combater.

E a publicidade? Até 5 de outubro, tudo no chão: campanha, marketing, marca, patrocínio. Ou seja, clubes que construíram receita, contratos e planejamento em cima de acordos legais acordam, num fim de semana, com o tapete puxado. Não é de espantar que Palmeiras, Santos, São Paulo, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Cruzeiro, ao lado das federações paulista e carioca, tenham falado em "fim do futebol brasileiro". Quando o governo escolhe o atalho, quem paga a conta é o esporte, é o trabalhador do clube, é a economia inteira do país.

E não venha com a ladainha de que se trata de moralização tardia. O adversário direto de Lula, Flávio Bolsonaro (PL), resumiu o cinismo em três palavras — "hipócrita, eleitoreira e populista" — e foi além ao lembrar de onde vêm os tigrinhos: do próprio regime que agora posa de salvador. Quem criou, alimentou e tributou o apetite nacional pelo jogo não pode, na véspera da eleição, se vestir de exorcista.

No fundo, a MP diz menos sobre apostas e mais sobre desespero. Um regime que autoriza e depois desautoriza, que regula e depois arranca, que promete segurança jurídica e entrega canetada eleitoral, revela o que há muito se desconfiava: quando a conta aperta, o projeto vira campanha, o Estado vira comitê e a lei vira peça de marketing.

Se o eleitorado quer mesmo acabar com os tigrinhos, que acabe — mas com seriedade, com debate, com regra clara e transição. Ou alguem pensa que viciados não serão capturados por plataformas "clandestinas". Sai o regulado, entra o criminoso.

O que o desesperado Lula assinou nesta sexta não é o fim das bets. É o retrato de um regime destrutivo disposto a tudo para não perder a eleição. E quem trata a nação como aposta, no fim, perde nas duas pontas.

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Fábio Roberto de Souza é jornalista, atuando como colunista e articulista do BN Brasil e colaborando com diversos veículos de comunicação. Desenvolve análises e conteúdos voltados à política, economia, educação, direitos do consumidor e temas institucionais, com foco na informação responsável, no debate público qualificado e na defesa do interesse coletivo - instagram: @fabiorobertodesouzas