Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a divulgação de conteúdo oriundo de quebras de sigilo de investigados — citando o exemplo do banqueiro Daniel Vorcaro — é “abominável”. A declaração foi feita durante o julgamento sobre a prorrogação da CPMI do INSS, realizado nesta quinta-feira (26/3).
Segundo o ministro, a divulgação de conversas íntimas do dono do Banco Master é deplorável e lamentável, classificando a prática como uma violação grave de direitos e da própria função institucional de quem lida com informações sigilosas.
Durante sua manifestação, Gilmar foi interrompido pelo ministro Alexandre de Moraes, que endossou a crítica e foi ainda mais incisivo, classificando o episódio como “criminoso”. Ambos reforçaram a necessidade de responsabilidade no manuseio de dados sensíveis e no respeito às garantias individuais.
No entanto, as declarações também reacendem um debate recorrente sobre coerência e isonomia no tratamento de vazamentos e exposições públicas. Críticos apontam que, em outros momentos, divulgações seletivas de informações sigilosas ou investigações sensíveis teriam ocorrido sem o mesmo nível de indignação institucional, levantando questionamentos sobre possíveis dois pesos e duas medidas.
Esse cenário alimenta a percepção pública de que há, por vezes, relações políticas, institucionais ou corporativas que influenciam o tom das reações, especialmente quando figuras poderosas ou grupos próximos ao sistema são envolvidos. A cobrança social, nesse contexto, não é apenas contra o vazamento em si, mas contra a aparente seletividade na condenação dessas práticas.
O julgamento segue com placar de 3 a 1 contra a prorrogação da CPMI do INSS. Os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin votaram pelo encerramento da comissão, enquanto André Mendonça se posicionou pela manutenção dos trabalhos.
Diante desse quadro, cresce a pressão por transparência, coerência e responsabilidade institucional, independentemente de quem esteja sendo investigado ou beneficiado. Afinal, a credibilidade das instituições depende não apenas do discurso firme contra irregularidades, mas da aplicação uniforme desses princípios — sem exceções, favorecimentos ou silêncios convenientes.