Mulher é indiciada por tentativa de homicídio contra o próprio irmão em hospital de Brusque

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Uma mulher foi indiciada pela Polícia Civil por tentativa de homicídio qualificado contra o próprio irmão, de 59 anos, enquanto ele permanecia internado em uma unidade hospitalar de Brusque, no Vale do Itajaí.

O paciente encontrava-se em condição de extrema vulnerabilidade, dependente de uma cânula de traqueostomia e de fornecimento contínuo de oxigênio para respirar.

O inquérito foi concluído pela Delegacia de Investigação Criminal (DIC) de Brusque após a apuração de diferentes episódios envolvendo supostas interferências nos equipamentos utilizados para manter o paciente vivo.

A investigada foi presa preventivamente no dia 18 de agosto. Posteriormente, os policiais também cumpriram mandado de busca e apreensão na residência dela.

Cânula de traqueostomia teria sido retirada após corte da fixação

Um dos principais episódios investigados ocorreu na madrugada de 7 de agosto, quando o paciente foi encontrado sem a cânula de traqueostomia e apresentando grave dificuldade respiratória.

O dispositivo é instalado na região do pescoço e permite a passagem de ar diretamente para os pulmões. Diante da situação, a equipe hospitalar realizou atendimento emergencial e conseguiu estabilizar o homem.

Durante a investigação, porém, a Polícia Civil constatou que o cadarço utilizado para manter a cânula presa ao pescoço havia sido cortado.

Em depoimento, a investigada admitiu ter cortado a fixação com uma tesoura. Ela negou, contudo, que tivesse a intenção de provocar a morte do irmão e alegou que sua atitude estaria relacionada aos cuidados prestados ao paciente.

Equipamento de oxigênio também teria sido desligado

A apuração policial revelou que o episódio envolvendo a traqueostomia não teria sido um fato isolado.

No decorrer das diligências, os investigadores ouviram profissionais de saúde, cuidadores, familiares e outras pessoas relacionadas ao caso. Também foram analisados documentos hospitalares, apreendidos objetos considerados relevantes e cumpridas medidas cautelares autorizadas pela Justiça.

Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos apontaram para outras possíveis interferências nos mecanismos respiratórios e no tratamento do paciente.

Um segundo episódio considerado decisivo ocorreu no dia 16 de agosto, quando o equipamento responsável pelo fornecimento de oxigênio teria sido desligado.

Para os investigadores, as duas situações, consideradas em conjunto, expuseram o paciente a risco concreto de morte.

Investigada permanece presa preventivamente

A prisão preventiva foi cumprida no dia 18 de agosto. A medida não representa condenação, mas determina que a investigada permaneça presa enquanto o caso avança, conforme decisão judicial.

Após a prisão, a Polícia Civil também cumpriu mandado de busca e apreensão na residência da mulher, onde foram recolhidos materiais destinados a complementar a investigação.

Polícia indicia mulher por tentativa de homicídio qualificado

Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil indiciou a investigada, em tese, por tentativa de homicídio qualificado.

O indiciamento significa que a autoridade policial identificou elementos indicativos da possível autoria e materialidade do crime. A medida, contudo, não equivale a uma condenação, e a responsabilidade criminal ainda dependerá da análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.

A mulher continua negando que tivesse a intenção de matar o irmão.

Concluído o trabalho da Polícia Civil, o inquérito será encaminhado para as próximas etapas da persecução penal. Caberá ao Ministério Público avaliar os elementos reunidos e decidir se oferece denúncia à Justiça.