PF paralela à caça de Flávio
O jornalista Claudio Dantas revelou, na edição desta quarta-feira (9) do programa ALive, novas informações sobre a atuação da Polícia Federal em investigações que ampliaram a crise institucional envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Segundo Dantas, agentes da PF teriam aproveitado uma operação realizada no escritório do advogado Willer Tomaz para buscar informações e possíveis provas relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro. O parlamentar, conforme a reportagem, não constava como investigado no procedimento que autorizou a diligência.
A denúncia levanta questionamentos sobre os limites estabelecidos pela ordem judicial, a finalidade da busca e a eventual utilização de uma investigação para alcançar pessoas estranhas ao objeto original do inquérito. Até o momento, as alegações apresentadas pelo jornalista ainda dependem de esclarecimentos oficiais e eventual apuração pelos órgãos competentes.
O programa também apresentou, em primeira mão, informações de bastidores segundo as quais os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux acreditam ter sido alvos de uma estrutura informal de inteligência dentro da Polícia Federal — descrita por Dantas como uma “PF paralela”. Os dois magistrados teriam procurado o presidente do STF, Edson Fachin, para tratar do assunto.
Outro ponto analisado foi o risco de Fachin retirar do ministro André Mendonça a relatoria das investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. Uma eventual mudança poderia aprofundar a disputa interna no Supremo e provocar novos questionamentos sobre o princípio do juiz natural.
A tensão aumentou depois que o ministro Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal, derrubando o afastamento anteriormente ordenado por Mendonça. A decisão foi criticada por interferir diretamente em uma determinação de outro ministro e ampliar o conflito sobre a condução das investigações. Andrei já retomou o comando da corporação.
Diante do agravamento da crise, Fachin cancelou a sessão plenária do STF prevista para esta quarta-feira. O episódio expõe uma disputa sem precedentes recentes dentro da Corte e aumenta a pressão para que sejam esclarecidas as denúncias de direcionamento político, produção irregular de relatórios de inteligência e possível extrapolação de ordens judiciais.