GOLPE EM CURSO: Seletividade de ministro do STF mostra que golpe está em curso

Por Rodrigo Constantino

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Flávio Dino atropelou o TSE neste domingo e mandou restabelecer mais de mil publicações que o próprio Tribunal Eleitoral havia considerado notoriamente inverídicas. A campanha de Flávio Bolsonaro falou em usurpação de competência. Acertou. Um ministro do STF escolhido a dedo, em processo que não passou por livre distribuição, cassou decisão da Justiça Eleitoral para devolver a mentira ao ar. Isso não é jurisprudência. É conveniência.

Mas o espetáculo verdadeiro não é o atropelo institucional. É a conversão. Em 2022, o TSE de Alexandre de Moraes impedia que se falasse a verdade sobre Lula. Qualquer associação incômoda virava “desinformação”, qualquer crítica virava inquérito, qualquer post virava ordem de remoção. Agora o mesmo campo ideológico descobre, de repente, que liberdade de expressão é cláusula pétrea. Comunista virou liberal. Quase emociona.

Se o critério de Dino vale – “não há grau de certeza de ilicitude” suficiente para censurar –, então o critério vale para todo mundo. Ou a liberdade é universal, ou é só mais um instrumento de poder. Como ele escolheu o segundo caminho, vamos usar o primeiro.

Dino não restabeleceu a liberdade de expressão. Restabeleceu a assimetria. Em 2022, a verdade sobre Lula era perigosa demais para circular. Em 2026, a mentira sobre Flávio é inofensiva demais para ser retirada. O nome disso não é princípio. É seletividade

Podemos, portanto, divulgar com a mesma desenvoltura que Lula e Janja querem a macumba com o status de religião de Estado. Que o projeto civilizatório do lulismo inclui terreiro oficial, despacho no Palácio e oxalá no lugar da cruz. E estaríamos mais perto da verdade! Janja já publicou foto com estatuetas umbandistas e escreveu: “Saudades de vestir branco e girar, girar, girar...” Pomba gira!

Socialista, na época de eleição, aparece na igreja, tira foto com padre, fala em “povo de fé” e, no dia seguinte, trata a religião como atraso medieval. Defender família tradicional vira motivo de deboche no carnaval lulista, em ala das “conservas”. Hipocrisia com horário marcado.

Dino já fez discurso enfático sobre os limites da liberdade de expressão, alegando que os dias das mentiras estavam contados no país, e que 2022 foi um exemplo do que viria pela frente. O que veio foi o contrário: liberar as mentiras pois afetam a campanha do adversário de Lula.

Se Tabet pode escrever que “a família miliciana odeia mulher preta” e isso vira liberdade religiosa, então também é liberdade religiosa apontar que o petismo só respeita o sagrado quando precisa de voto. Fora disso, a fé católica de dezenas de milhões de brasileiros vira alvo fácil, e a umbanda vira identidade progressista.

Dino não restabeleceu a liberdade de expressão. Restabeleceu a assimetria. Em 2022, a verdade sobre Lula era perigosa demais para circular. Em 2026, a mentira sobre Flávio é inofensiva demais para ser retirada. O nome disso não é princípio. É seletividade. O ex-ministro de Lula e companheiro de jornada comunista vestiu a toga, mas não abandonou a bandeira vermelha.

A ironia final é que o ministro, ao cassar o TSE para proteger um post de humorista, acabou confessando o que sempre negou: a censura no Brasil nunca foi sobre combater mentira. Foi sobre combater o adversário. Quando o adversário muda de lado no placar, a liberdade de expressão reaparece como milagre. Comunista a favor da liberdade. O Brasil já viu de tudo. Agora viu até isso.

Há um golpe em curso e Dino é seu principal instrumento. Isso denota desespero com as pesquisas. Mas o tiro pode sair pela culatra, como no caso da proibição das bets: a cada nova medida absurda dos ministros lulistas e do presidente, mais votos indecisos se convertem contra a manutenção dessa corja no poder.

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Rodrigo Constantino é economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja, O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.