“Saí de um regime de exceção para ser o líder que meu povo merece”
Em carta, senador acusa instituições brasileiras de perseguição política e afirma que continuará mobilizando seus apoiadores no exterior
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, em carta dirigida ao povo brasileiro e à comunidade internacional, que deixou o país com a família e passou a se estabelecer nos Estados Unidos. No documento, o parlamentar atribui a decisão ao que classifica como um “regime de exceção” e anuncia que pretende liderar a oposição a partir do exterior.
“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”, escreveu.
Segundo o senador, a permanência no Brasil poderia comprometer sua atuação política em razão de medidas judiciais. Ele acusa instituições brasileiras, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF), de perseguir opositores e instrumentalizar a Justiça para fins políticos.
Flávio também afirmou ter levado a família aos Estados Unidos em busca de segurança. Na carta, agradeceu ao presidente Donald Trump e ao governo norte-americano pelo acolhimento.
Atuação política no exteriorO parlamentar declarou que sua saída não representa o abandono dos eleitores nem o encerramento de sua atividade política.
“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros”, afirmou.
Flávio disse que continuará se dirigindo à população e que apresentará uma estratégia de mobilização da oposição. Também anunciou a intenção de atuar como porta-voz de parlamentares e lideranças que, segundo ele, enfrentam restrições para se manifestar no Brasil.
“Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, escreveu, dirigindo-se a senadores, deputados e governadores que afirma ter ajudado a eleger.
Na manifestação, mencionou o senador Rogério Marinho (PL-RN), a quem chamou de seu candidato à Presidência do Senado, e pediu às lideranças aliadas que mantenham a mobilização.
Referências históricasPara justificar a decisão, Flávio comparou sua situação à de personagens históricos que desenvolveram atividades políticas fora de seus países. Citou Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí.
“Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele”, escreveu.
Na comparação apresentada pelo senador, Rui Barbosa representa a resistência ao arbítrio durante o governo de Floriano Peixoto; De Gaulle, a liderança da França Livre a partir de Londres; e Martí, a organização da luta pela independência cubana no exterior.
O parlamentar também mencionou os opositores venezuelanos Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado como referências de resistência a governos que considera autoritários.
“Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa”, declarou.
Acusações contra o STFAo tratar da decisão de deixar o Brasil, Flávio alegou que poderia ser alvo de medidas como apreensão do passaporte, uso de tornozeleira eletrônica, restrições à liberdade de expressão, prisão domiciliar e condenação por motivação política.
O senador afirmou que não pretendia sair do país, mas decidiu fazê-lo por considerar que sua atuação e a segurança de seus familiares estavam ameaçadas.
Ao encerrar a carta, pediu à comunidade internacional que não normalize o cenário político descrito por ele e declarou que continuará sua mobilização até que o Brasil volte a ser, em suas palavras, “um país livre”.