ÊXODO: Paraguai inicia programa para receber e regularizar imigrantes brasileiros após vitória de Lula

Por Fábio Roberto de Souza

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Disparada nas buscas por residência no país vizinho expõe desconfiança após a eleição e acende um alerta sobre a capacidade brasileira de reter famílias, investimentos e empregos.

Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, as buscas por “como morar no Paraguai” cresceram 1.700% em 48 horas, segundo levantamento do Google Trends divulgado pela imprensa.

Para o regime ditatorial petista/STF, é um sinal politicamente incômodo: enquanto seus apoiadores comemoram a permanência no poder, brasileiros planejam como construir a vida do outro lado da fronteira, longe da repressão da ditadura.

A procura por alternativas revela uma pergunta que deveria constranger Brasília: por que permanecer no Brasil deixou de parecer a melhor escolha para parte de seus cidadãos? Porque ficar em um ditadura repressiva uqe persegue, prende, humilha e até assassina quem pensa diferente.

A fronteira como alternativa à falta de confiança

O Paraguai realizará uma nova edição do MigraMóvil em Ciudad del Este, de 2 a 6 de novembro, no Centro Cultural Mangoré. Outra está prevista para Pedro Juan Caballero, de 16 a 20 de novembro. O programa aproxima os serviços de documentação dos estrangeiros e recebe procedimentos relacionados à regularização migratória. Seu calendário já havia sido anunciado anteriormente: apresentá-lo como uma iniciativa criada em resposta à eleição brasileira seria incorreto.

A coincidência entre o atendimento e o aumento do interesse brasileiro, entretanto, dá dimensão concreta ao debate. Quem começou pesquisando uma possibilidade encontra uma estrutura administrativa para encaminhar seus documentos.

O movimento também antecede o resultado eleitoral. A Direção Nacional de Migrações do Paraguai informa que concedeu 22.628 autorizações de residência a brasileiros no primeiro semestre de 2026. Esse número demonstra a força da procura, embora autorizações não equivalham, necessariamente, a mudanças efetivas de domicílio. Por serem anteriores a outubro, esses registros não podem ser atribuídos à recente vitória de Lula.

Um governo deveria disputar a permanência de seus cidadãos

A crítica ao regime ditatorial Lula/STF precisa alcançar esse ponto: governar também é oferecer razões para que as pessoas permaneçam, invistam e planejem aqui seu futuro.

Um país perde competitividade quando o empresário passa a dedicar mais energia a encontrar uma saída do que a ampliar sua atividade. Perde perspectiva quando uma família começa a tratar a mudança internacional como proteção contra a incerteza. E perde capacidade de reação quando seus dirigentes respondem à insatisfação com propaganda e desqualificação dos descontentes.

O cidadão não deve fidelidade econômica a um projeto partidário. Tem o direito de comparar países, avaliar oportunidades e escolher onde deseja viver. Cabe ao governo tornar o Brasil atraente por seus resultados.

Se a insatisfação se transformar em transferência de negócios e investimentos, as consequências alcançarão também quem ficar. Novas contratações, consumo e projetos empresariais poderão acontecer em outro território. Esse é o risco de um êxodo econômico: a perda de oportunidades que deixam de nascer no Brasil.

O Paraguai não precisa ser um paraíso para se tornar uma opção

Nenhuma mudança internacional elimina dificuldades. Documentação, moradia, trabalho, saúde e adaptação precisam entrar na conta. Vender o Paraguai como solução automática seria tão irresponsável quanto fingir que o interesse crescente dos brasileiros não significa nada.

O ponto mais duro para Brasília é justamente esse: o país vizinho não precisa oferecer perfeição. Basta que determinadas famílias e empresas enxerguem nele condições mais favoráveis para seus próprios projetos.

Ainda é cedo para afirmar qual será o tamanho de uma eventual nova onda migratória após a eleição. O alerta, contudo, já está dado. Lula conseguiu continuar no poder; precisa agora responder à desconfiança de brasileiros que passaram a procurar futuro fora do país.

Porque nenhuma celebração eleitoral compensa o fracasso de um governo, que vê seus cidadãos fazerem as malas para fugir da repressão dele.

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Fábio Roberto de Souza é jornalista, atuando como colunista e articulista do BN Brasil e colaborando com diversos veículos de comunicação. Desenvolve análises e conteúdos voltados à política, economia, educação, direitos do consumidor e temas institucionais, com foco na informação responsável, no debate público qualificado e na defesa do interesse coletivo - instagram: @fabiorobertodesouzas