A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo simbólico e constrangedor: nem o cartão Elo, bandeira nacional, Alexandre de Moraes consegue usar com segurança. O episódio escancara a força das sanções internacionais e a fragilidade do discurso de soberania usado por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).
Desde que foi incluído na lista de sanções da Lei Magnitsky, Alexandre de Moraes passou a enfrentar restrições severas no sistema financeiro. Cartões de bandeira internacional — como Visa e Mastercard — foram bloqueados por bancos brasileiros, que temem punições pesadas caso descumpram determinações norte-americanas.
Na tentativa de contornar a situação, restou a alternativa nacional: o cartão Elo, criado justamente para dar ao Brasil uma bandeira própria. Mas mesmo essa opção revelou-se inviável, já que os bancos não estão dispostos a arriscar sua posição no sistema global por causa de um ministro do STF.
A narrativa oficial de que o Brasil não precisa se submeter a sanções estrangeiras cai por terra diante dos fatos. O sistema financeiro é interligado e, para sobreviver, depende da credibilidade internacional. Bancos sabem que desafiar os EUA significaria isolamento, multas bilionárias e a destruição de suas operações fora do país.
O resultado é que, na prática, Moraes não tem acesso a transações internacionais. Não pode comprar no exterior, não pode manter aplicações em dólares e tampouco movimentar recursos fora das fronteiras brasileiras — um efeito devastador para quem sempre acreditou estar acima da lei.
A situação de Moraes expõe também o desgaste da imagem do STF. Ministros tentaram reagir, chegando a cogitar medidas retaliatórias contra empresas americanas no Brasil. Mas a realidade é que, enquanto a Corte ensaia bravatas políticas, o sistema financeiro já escolheu o lado: não será refém de aventuras jurídicas que não têm efeito prático no mundo real.
O episódio revela um paradoxo cruel. Para o cidadão comum, sanções internacionais são uma abstração distante. Para um ministro do Supremo, tornaram-se uma realidade palpável: sem crédito, sem bandeira, sem saída.
E enquanto milhões de brasileiros lutam diariamente para ter acesso a crédito básico, o símbolo do poder judicial descobre que nem um cartão Elo é suficiente para blindá-lo das consequências de suas próprias escolhas.
O caso do cartão bloqueado mostra que não há retórica jurídica capaz de se impor sobre o sistema financeiro global. Moraes, que sempre se posicionou como fiador da legalidade, agora enfrenta a humilhação de descobrir que, fora das fronteiras nacionais, a sua autoridade simplesmente não existe.