Alexandre de Moraes libera tratamento a autista preso em 8 de janeiro de 2023

    29/08/2025 18h26 - Atualizado há 6 horas

    Depois de um tempo sem volta de espera e insistência da defesa, o Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), finalmente determinou o início do tratamento ambulatorial de Jean de Brito da Silva, homem com autismo e deficiência intelectual moderada que havia sido preso durante os atos de 8 de janeiro de 2023. A decisão também ordenou a retirada da tornozeleira eletrônica, que permaneceu no preso mesmo após sua absolvição em março deste ano.

    Absolvição ignorada por meses

    Em 5 de março de 2025, laudos psiquiátricos e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) reconheceram Jean como inimputável, ou seja, incapaz de responder criminalmente. Moraes determinou a absolvição e impôs medida de segurança: tratamento ambulatorial por dois anos, a ser fiscalizado pela Justiça de Mato Grosso.

    Apesar disso, a decisão não foi cumprida em sua totalidade. Jean continuou sendo monitorado eletronicamente, em uma situação que sua defesa considerou ilegal e desumana. Para os advogados, a manutenção da tornozeleira era um símbolo da burocracia e do autoritarismo no tratamento de casos envolvendo réus vulneráveis.

    Pressão e desgaste público

    Somente em 28 de agosto de 2025, após crescente pressão de familiares, advogados e da imprensa, Moraes expediu ordem para início do tratamento e retirada do equipamento eletrônico. A demora foi alvo de críticas não apenas da defesa, mas também de juristas e entidades de direitos humanos, que apontam para uma atuação do STF marcada por abusos, prisões coletivas e falta de individualização de condutas.

    Caso emblemático dos abusos do 8 de janeiro

    O caso de Jean tornou-se símbolo da polêmica sobre as prisões em massa dos atos de 8 de janeiro. Pessoas idosas, doentes e até deficientes foram detidas sem provas individualizadas. Muitas ficaram meses encarceradas, em condições precárias, até que a defesa conseguisse comprovar vulnerabilidades óbvias.

    Para críticos do Supremo, a demora em cumprir a própria decisão de absolvição reforça a imagem de um judiciário arbitrário, que prende primeiro e analisa depois. No caso do autista, a aplicação tardia de uma medida humanitária só ocorreu após grande desgaste público.


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