Morte de bebê durante transferência hospitalar gera revolta

Informações SCC10

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A morte de um bebê de apenas um mês durante uma transferência hospitalar mobiliza a família e levanta questionamentos sobre o atendimento prestado em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. Benjamin estava internado com suspeita de bronquiolite e morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória enquanto era transportado para um hospital de Concórdia.

Em entrevista ao Portal SCC10, os familiares relataram possíveis falhas no atendimento médico, na disponibilização de um leito de UTI pediátrica e na estrutura da ambulância utilizada. A família afirma que buscará esclarecimentos sobre as circunstâncias que antecederam a morte da criança.

Bebê apresentou sintomas semelhantes aos de um resfriado

Segundo a mãe, Jéssica Moura Cardoso, Benjamin começou a apresentar sintomas semelhantes aos de um resfriado na manhã de 18 de julho. O bebê foi levado ao Hospital da Criança Augusta Müller Bohner, em Chapecó, onde passou por avaliação médica.

De acordo com o relato da família, os pais foram orientados a manter os cuidados em casa, com nebulização e lavagem nasal.

No dia seguinte, porém, o quadro respiratório se agravou. Benjamin passou a apresentar intensa dificuldade para respirar e foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A família recebeu, então, a orientação de retornar ao Hospital da Criança.

Na unidade hospitalar, uma médica teria identificado sinais compatíveis com bronquiolite e determinado a internação. O bebê passou a receber oxigênio e alimentação por sonda, pois já não conseguia mamar. Durante a internação, segundo a mãe, Benjamin apresentou piora clínica e episódios de febre.

Falta de vaga em UTI levou à transferência

Com o agravamento do quadro, Benjamin precisou ser intubado. A equipe médica iniciou a busca por um leito de UTI pediátrica.

Segundo a família, não havia vaga disponível no Hospital Regional do Oeste, em Chapecó. Posteriormente, um leito teria sido localizado no Hospital São Francisco, em Concórdia.

A criança foi colocada em uma ambulância para a transferência, acompanhada pelo pai.

Família questiona estrutura da ambulância

Os familiares afirmam ter identificado possíveis problemas na estrutura utilizada para transportar o bebê. Segundo o relato, Benjamin teria sido colocado em uma maca destinada a adultos, em vez de uma incubadora, que teria sido solicitada inicialmente.

A família também questiona se os equipamentos disponíveis na ambulância eram adequados ao tamanho e às condições clínicas da criança, que estava intubada.

O trajeto precisou ser alterado devido a obras na BR-283. Por esse motivo, a ambulância seguiu por uma rota alternativa pela região de Xaxim.

Benjamin sofreu parada cardiorrespiratória

Durante o deslocamento, conforme o relato do pai, a médica teria solicitado ao socorrista um ajuste no cinto da ambulância. Pouco tempo depois, os familiares foram informados de que Benjamin havia sofrido uma parada cardiorrespiratória.

O pai afirma ter questionado a equipe sobre a disponibilidade de equipamentos compatíveis com o tamanho do filho. Ele também relata ter percebido momentos de aparente despreparo durante as tentativas de reanimação.

Uma equipe de emergência de Xaxim foi acionada para auxiliar no atendimento. Com a chegada da unidade, o pai foi retirado da ambulância, enquanto os profissionais prosseguiam com as manobras de reanimação.

Apesar dos esforços das equipes, Benjamin não resistiu. O bebê morreu em 20 de julho, apenas três dias depois de completar um mês de vida.

Mãe busca respostas sobre a morte do filho

Após a perda, Jéssica passou a questionar o atendimento prestado e as circunstâncias da transferência. A família busca compreender o que provocou a parada cardiorrespiratória e por que o estado de saúde de Benjamin se agravou tão rapidamente.

A mãe também relata que, antes da transferência, uma médica teria pedido que ela se despedisse do filho. Jéssica conta que entrou na ambulância, beijou Benjamin e pediu que ele voltasse para casa. Segundo ela, a profissional afirmou que cuidaria da criança durante o trajeto.

Os familiares questionam ainda a comunicação entre as equipes envolvidas e defendem que a indisponibilidade de um leito de UTI pediátrica em Chapecó seja esclarecida.

Secretaria de Estado da Saúde se manifesta

Em nota oficial, a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina informou que o transporte foi realizado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Segundo a pasta, a unidade de suporte avançado responsável pelo atendimento dispunha de todos os insumos, medicamentos e equipamentos necessários.

A Secretaria acrescentou que as técnicas utilizadas no transporte de crianças consideram fatores como peso, idade e condições clínicas de cada paciente.

Em relação à disponibilidade de leitos, a SES afirmou que a região do Grande Oeste recebeu recentemente cinco novos leitos de UTI pediátrica e quatro de suporte ventilatório, além dos 20 leitos de UTI neonatal e cinco leitos pediátricos já existentes.

“Transferências entre unidades visam alocar os pacientes de acordo com as melhores condições possíveis que cada caso requer, buscando sempre garantir a melhor assistência”, declarou a Secretaria.

“Eu quero justiça por ele”, diz mãe

Abalada com a morte do filho, Jéssica afirma acreditar que Benjamin poderia estar vivo caso houvesse uma estrutura adequada e um leito de UTI pediátrica disponível em Chapecó.

A mãe questiona o tempo necessário para a transferência, as condições do transporte e a ausência de uma vaga na cidade.

“Benjamin poderia estar aqui se não fosse por uma falha do sistema. Se tivesse leito de UTI, ele poderia estar aqui. Estou desolada. Quero justiça por ele”, afirmou.

A família pretende buscar esclarecimentos sobre o atendimento médico, a disponibilidade de leitos, as condições da ambulância e a atuação dos profissionais envolvidos.

As circunstâncias do atendimento e da transferência estão sendo apuradas pelo SAMU e pela Fundação de Apoio ao Hemosc/Cepon (Fahece).


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