Em um dos episódios mais revoltantes e contraditórios da política agroalimentar brasileira recente, veio a público a informação de que a JBS, uma das maiores empresas de alimentos do planeta, está importando mais de 700 toneladas de tilápia do Vietnã, em lotes sucessivos, enquanto o Brasil — um dos maiores produtores mundiais do peixe — enfrenta deliberadas investidas do governo federal contra sua própria cadeia produtiva.
O escárnio atinge níveis alarmantes quando se observa o contexto: além de permitir a entrada massiva de pescado estrangeiro, o regime Lula, por meio do Ministério da Agricultura, passou a considerar a tilápia como espécie invasora, abrindo caminho para restrições, burocratizações e até proibições em áreas de cultivo nacional. Ou seja: ao mesmo tempo em que afrouxa normas sanitárias para importar peixe de fora, aperta o cerco contra quem produz no Brasil — uma contradição que ganha contornos de sabotagem planejada.
O Brasil é referência mundial em produção de tilápia: tecnologia de ponta, qualidade reconhecida, produtores organizados e uma cadeia que gera milhares de empregos. Ainda assim, contrariando a lógica econômica nacional e a responsabilidade social, a JBS optou por trazer do Vietnã:
24 toneladas no primeiro contêiner,
parte de um total de 32 contêineres,
estimados em aproximadamente 700 toneladas.
Tudo isso mesmo com o setor brasileiro sendo capaz de suprir a demanda interna — e com qualidade superior.
A justificativa implícita é óbvia: custo mais baixo. O Vietnã subsidia sua produção, pratica preços irrisórios e exporta em escala industrial. Mas o efeito desse movimento é devastador: empresas nacionais que operam honestamente não conseguem competir com pescado estrangeiro subsidiado, e veem suas margens desaparecerem enquanto frigoríficos gigantes escolhem o caminho mais perverso — sacrificar o produtor brasileiro em nome de lucros imediatos.
A contradição do regime Lula é grotesca. Há meses, reportagens e documentos técnicos revelam que o Ministério da Agricultura — o mesmo que liberou as importações de tilápia do Vietnã — está empenhado em classificar a tilápia como espécie invasora, movimento que pode:
sufocar a produção nacional,
inviabilizar novos empreendimentos,
restringir tanques escavados e pisciculturas,
e criminalizar produtores em regiões onde a espécie é predominante.
É uma guinada ideológica que ignora ciência, ignora impacto econômico e ignora as famílias que vivem da piscicultura. E mais: coloca o Brasil de joelhos diante de exportadores estrangeiros.
Como explicar que o país, líder mundial no setor, agora discuta proibir o que sempre fez com excelência — ao mesmo tempo em que abre as portas para pescado barato vindo da Ásia?
O Brasil libera importações do Vietnã.
A JBS importa 700 toneladas de tilápia estrangeira.
O governo ameaça enquadrar a tilápia nacional como “peixe invasor”.
O produtor brasileiro fica sem mercado, sem segurança jurídica e sem perspectiva.
É impossível não enxergar nesse processo um movimento coordenado de desmonte da produção nacional, beneficiando conglomerados, interesses estrangeiros e agendas ideológicas que desprezam o setor produtivo — justamente o setor que sustenta empregos, impostos e alimentos de qualidade.
A reação do setor aquícola tem sido de indignação profunda. Produtores relatam sensação de abandono, incerteza regulatória e preocupação com o efeito cascata dessa política:
queda de preços,
falências regionais,
perda de competitividade,
e até retrocesso no desenvolvimento rural.
Enquanto isso, o governo ignora os apelos e insiste numa narrativa ambiental ideológica e desconectada da realidade. A suposta “proteção ambiental” se transforma, na prática, em destruição econômica — e em incentivo ao peixe estrangeiro.
A importação da JBS é apenas o sintoma mais visível de uma doença profunda: a inversão completa de prioridades do regime federal. Em vez de fortalecer o que temos de melhor, o governo:
prejudica o produtor,
desestimula investimento,
abre brechas para concorrência desleal,
e empurra o país para uma dependência externa injustificável.
É um ataque direto à piscicultura brasileira — e, mais do que isso, ao próprio Brasil.
A pergunta que fica é: a quem interessa destruir a produção nacional de tilápia?
Porque certamente não interessa ao povo brasileiro — e muito menos aos produtores que fazem a roda girar.