A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu que a morte de Débora Ester de Biazi Dambros, de 24 anos, inicialmente tratada como um acidente de trânsito em São Carlos, no Oeste catarinense, foi, na realidade, um caso de feminicídio seguido de ocultação de cadáver e fraude processual. Em decorrência das investigações, o marido da vítima, de 30 anos, e o pai dele, de 53, foram presos na manhã desta sexta-feira (31).
Débora foi encontrada sem vida no dia 21 de julho, às margens do Rio Barra Grande, entre os municípios de São Carlos e Palmitos. O automóvel em que seu corpo estava foi localizado submerso, levando, em um primeiro momento, à hipótese de que ela tivesse perdido o controle da direção, saído da pista e despencado da ponte.
Entretanto, o avanço das investigações e a análise detalhada da cena do fato mudaram completamente o rumo do caso. O laudo cadavérico apontou que a jovem morreu por asfixia, além de constatar que as lesões encontradas em seu corpo eram incompatíveis com um acidente de trânsito, afastando a versão inicialmente considerada.
De acordo com a Polícia Civil, imagens de câmeras de monitoramento e outras diligências demonstraram que o veículo encontrado no rio deixou o município de Xaxim por volta das 18h40 do dia 20 de julho, chegando à região de São Carlos cerca de uma hora e vinte minutos depois. A investigação concluiu ainda que Débora não conduzia o automóvel e que outro veículo, registrado em nome do marido, acompanhou todo o percurso.
Os investigadores também apuraram que, no dia seguinte ao crime, o marido compareceu à delegacia para registrar o desaparecimento da esposa. No boletim de ocorrência, afirmou que o casal estava em processo de separação e que Débora teria saído de casa dizendo que pretendia cometer suicídio.
As investigações, porém, apontam para um cenário completamente diferente. Segundo a Polícia Civil, a jovem foi morta dentro da residência do casal, na presença dos dois filhos, de apenas 8 e 2 anos de idade. A partir daí, o crime teria sido cuidadosamente encoberto, com a remoção do corpo, a simulação de um acidente de trânsito e a tentativa de induzir as autoridades ao erro, circunstâncias que levaram ao indiciamento pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual.