A sucessão de declarações de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre segurança pública escancara o afastamento de um governante que parece viver em uma bolha ideológica, completamente desconectado da realidade e das demandas urgentes da população. Primeiro veio o argumento absurdo de que traficantes seriam “vítimas” dos usuários de drogas — uma inversão moral que ofende a inteligência de qualquer brasileiro que convive com a violência no dia a dia.
Depois, diante da maior megaoperação policial do ano no Rio de Janeiro, Lula simplesmente se calou. O país discutia violência, criminalidade e o poder das facções, e ele desapareceu. Quando finalmente abriu a boca, limitou-se a rotular a operação — apoiada por quase 70% da população — como uma “matança” e algo “desastroso”. Foi mais um capítulo de um discurso que parece feito para proteger criminosos e afrontar o senso comum.
O resultado dessa desconexão é imediato: sua popularidade caiu pela primeira vez desde maio. Segundo a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (12), 50% dos brasileiros desaprovam o governo, enquanto 47% ainda aprovam.
A segunda parte da pesquisa, divulgada nesta quinta-feira (13), mostra que Lula mantém vantagem nos cenários de primeiro turno, mas a diferença entre ele e os adversários derreteu. No segundo turno, ele volta a empatar tecnicamente com Jair Bolsonaro (PL), mesmo Bolsonaro estando inelegível para 2026.
Essa freada brusca na popularidade coincide com as declarações de Lula sobre segurança pública — tema que hoje é o maior problema do país para 38% dos brasileiros.
A aprovação oscilou para baixo (de 48% para 47%), enquanto a desaprovação subiu (de 49% para 50%). A pesquisa ouviu 2.004 pessoas e tem margem de erro de 2 pontos percentuais.
Durante viagem à Malásia, Lula tentou criticar ações dos EUA contra barcos de traficantes, mas acabou defendendo criminosos ao dizer:
“Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também.”
A reação foi imediata: indignação geral e críticas de todos os lados. Ele tentou remendar a fala com uma nota, mas já tinha revelado exatamente como pensa — e é essa visão distorcida que assusta a população.
Poucos dias depois, o governo do Rio deflagrou uma megaoperação contra o Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão. Foram 121 mortos, entre eles quatro policiais. A população apoiou a ação, reconhecendo a gravidade da ameaça imposta pela facção.
Lula não disse nada por vários dias. E quando falou, foi para classificar a operação como “matança” e “desastrosa”, reafirmando uma postura que passa a impressão de que ele se incomoda mais com criminosos mortos do que com trabalhadores aterrorizados pela violência diária.
A Quaest aponta que essa visão atrapalhou sua já combalida credibilidade junto ao eleitorado.
A pesquisa revela o quanto Lula está destoando da sociedade:
57% discordam dele ao chamar a operação do Rio de desastrosa.
81% discordam da ideia de que traficantes são vítimas.
A maioria dos brasileiros rejeita frontalmente a narrativa de complacência com o crime.
O maior dano está entre os eleitores independentes — aqueles que não se encaixam em rótulos ideológicos:
aprovação caiu para 43%,
desaprovação saltou para 52%.
É a primeira vez desde agosto que Lula perde esse público de forma clara. O cientista político Samuel Oliveira resume:
O eleitor independente desconfia de quem demonstra pouca disposição para enfrentar o crime.
E Lula transmite exatamente isso: fraqueza, hesitação e um olhar distorcido sobre criminosos.
Analistas concordam que Lula simplesmente ignora o que pensa a sociedade. Suas falas improvisadas expõem despreparo e uma visão ideológica atrasada, que tenta transformar criminosos em coitadinhos enquanto vítimas ficam desprotegidas.
Segundo Paulo Serra, especialista em políticas públicas:
“As falas de Lula ignoram a sensibilidade da sociedade. O dano na popularidade é natural.”
A queda na popularidade não é coincidência. É consequência direta de um presidente que insiste em relativizar crimes, minimizar facções e proteger criminosos em seus discursos. Lula tenta justificar o injustificável porque enxerga o mundo por uma lente ideológica que não corresponde à realidade.
O país está cansado de violência. Cansado de desculpas. Cansado de autoridades que tratam criminosos como vítimas.
Se Lula continuar assim — preso em sua bolha e desconectado do que vive o brasileiro comum — sua erosão política será inevitável. E 2026 pode se tornar o fim definitivo de um projeto que perdeu o pulso da sociedade.