O roteiro era previsível — menos para Rodrigo Pacheco. Após anos atuando como fiador das pautas de interesse do regime Lula e cúmplice silencioso do ativismo judicial do STF, o ex-presidente do Senado apostou tudo em uma moeda só: agradar o Planalto e a cúpula do Judiciário para conquistar a vaga no Supremo Tribunal Federal.
O resultado veio como humilhação pública.
Segundo informações divulgadas por veículos nacionais, Lula comunicou pessoalmente a Pacheco que “o nome escolhido para o STF seria outro”. Na prática, o presidente apenas oficializou aquilo que já era evidente: Pacheco jamais foi prioridade. Sua lealdade foi útil — não valiosa.
Durante anos, Rodrigo Pacheco atuou como escudo político do regime e do STF. Engavetou pedidos, blindou ministros, evitou debates espinhosos e permitiu que o Judiciário avançasse sobre competências do Legislativo sem qualquer resistência.
Fez, literalmente, o papel de capacho institucional.
Isso porque sonhava com a toga. Queria ser ministro da Suprema Corte e, para isso, tratava Lula e os ministros ativistas do STF com uma reverência incompatível com o cargo de chefe do Poder Legislativo. Não obteve respeito — só desprezo.
O PT e o núcleo duro do governo sempre viram Pacheco como um aliado descartável. Enquanto servia aos interesses do Planalto, era tolerado. No momento em que começou a sinalizar que desejava um retorno político equivalente ao tamanho de sua obediência, foi descartado.
Para os ministros do STF que se beneficiaram de sua omissão — e muitas vezes, cumplicidade — Pacheco nunca passou de um instrumento útil. Na hora da vaga, preferiram nomes alinhados ideologicamente, não alguém que apenas se esforçou para agradar.
A declaração de que poderá deixar a vida pública é um reconhecimento implícito da própria irrelevância. Após ter se tornado sinônimo de submissão em Brasília, Pacheco percebeu que não tem capital político para disputar sequer uma eleição secundária.
Seu desgaste é tão grande que, hoje, dificilmente conseguiria se eleger síndico de prédio — muito menos governador, senador ou qualquer cargo majoritário.
Rodrigo Pacheco encerra seu ciclo como símbolo de uma era de omissão legislativa. Foi o presidente do Senado que aceitou ver seu poder diluído por conveniência e ambição pessoal.
Fez tudo o que o governo e o STF queriam — e, no fim, foi humilhado exatamente por aqueles que tentou agradar.
Seu caso entra para a história como uma lição dura: quem renuncia à própria dignidade institucional para agradar o poder acaba sem respeito, sem cargo e sem futuro.
*Fábio Roberto de Souza é jornalista (registro MTb 6867/SC), ex-diretor-geral de PROCON, especialista em Direito do Consumidor, com mais de duas décadas de atuação na área.