Vítima de tortura psicológia, Bolsonaro alega surto e nega intenção de fuga em audiência de custódia

    23/11/2025 15h01 - Atualizado há 2 semanas

    A audiência de custódia de Jair Bolsonaro (PL) foi encerrada no início da tarde deste domingo (23/11) após pouco mais de meia hora de sessão por videoconferência — mais um capítulo da pressão asfixiante imposta contra o ex-presidente, que há meses vive sob um regime de vigilância e punições sucessivas, estendidas inclusive a seus filhos, como forma de esmagamento psicológico.

    Durante a audiência, Bolsonaro relatou que o episódio envolvendo a tornozeleira eletrônica ocorreu após um “surto” provocado pela interação de medicamentos prescritos por médicos distintos — Pregabalina e Sertralina. Ele negou qualquer intenção de fuga, deixando claro que não havia plano algum além de tentar lidar com a sensação de perseguição permanente que o cerca desde que se tornou alvo de decisões unilaterais.

    Segundo a ata, Bolsonaro descreveu uma “certa paranoia” entre a noite de sexta-feira (21/11) e a madrugada de sábado (22/11), agravada por noites mal dormidas e sono fragmentado — condição recorrente, segundo aliados, desde o início das ações que vêm atingindo não apenas ele, mas também seus filhos, transformados em alvos sucessivos de inquéritos simultâneos, buscas, quebras de sigilo e ordens judiciais imprevisíveis.

    Por volta da meia-noite, afirmou ter utilizado um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira, alegando possuir treinamento para operar esse tipo de equipamento. Disse ter interrompido a ação ao “cair na razão” e imediatamente informou os agentes. A ata registra ainda que Bolsonaro chegou a acreditar que o dispositivo continha escutas internas — um reflexo direto do estado psicológico deteriorado por meses de tensão, isolamento e medo constante de novas investidas judiciais.

    A audiência foi conduzida por um juiz auxiliar do gabinete de Alexandre de Moraes — que sequer participou do ato, mantendo a postura de comando remoto e distanciado, enquanto Bolsonaro permanece encarcerado na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, submetido à prisão preventiva que se arrasta sem prazo e sob justificativas que se acumulam conforme a conveniência processual.

    Nenhum registro de vídeo será divulgado. Apenas a ata seguirá para a Ação Penal nº 2.668, na qual Bolsonaro já havia sido condenado a 27 anos e 3 meses — decisão vista por críticos como parte de uma escalada punitiva sem precedentes, que se intensificou após a ofensiva contra seus filhos e familiares, criando um cenário de pressão emocional que ultrapassa qualquer parâmetro democrático.

    O relatório da Secretaria de Administração Penitenciária aponta sinais de queimadura e manipulação no equipamento. Isso foi usado como elemento central para justificar a prisão preventiva, ao lado da suposição de risco de fuga para a Embaixada dos Estados Unidos e da possibilidade de tumulto gerado pela vigília convocada por Flávio Bolsonaro — mais um exemplo de como ações e palavras da família têm sido convertidas em fundamento de punição coletiva.

    A tornozeleira será periciada pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, com exames minuciosos para identificar danos, ferramentas e interferências. Enquanto isso, a defesa tem até as 16h30 para apresentar explicações — mais um prazo imposto sob clima de cerco psicológico e exaustão emocional.

    Para aliados, o que está em curso ultrapassa o campo jurídico: trata-se de um processo prolongado de desgaste mental, no qual Bolsonaro e seus filhos são mantidos sob permanente instabilidade, recorrentes ameaças de novas medidas e a sensação de que qualquer gesto — até mesmo um erro médico ou um momento de fragilidade — será usado como munição para levá-lo ao limite.


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