A versão apresentada pela prefeitura de Brusque — de que “o vento fez voar pedras e deixou as flores” no Cemitério Parque da Saudade — nunca convenceu a população. Desde o primeiro momento, a explicação gerou incredulidade e forte reação pública, já que, pela lógica e pelas imagens divulgadas, seria impossível que rajadas de vento erguessem lápides, deslocassem mármore pesado e, ao mesmo tempo, deixassem flores intactas. A sensação generalizada foi a de que a cidade estava sendo, no mínimo, mal informada.
Diante da repercussão negativa, a prefeitura anunciou a abertura de um processo administrativo para apurar o caso. Segundo o documento oficial, a investigação pretende examinar possíveis condutas irregulares no âmbito da Secretaria de Obras.
Ao jornal O Município, o secretário de Obras, Ivan Bruns Filho, reafirmou a tese municipal: os danos teriam sido provocados exclusivamente pela ventania. A averiguação, segundo ele, pretende ouvir os servidores envolvidos e esclarecer as circunstâncias do episódio.
“Queremos saber o que ocorreu e de que forma ocorreu, para realmente levantar isso a fundo e checar essas informações”, declarou o secretário.
Na manhã de domingo, 9 de novembro, moradores registraram túmulos com pedras arrancadas, mármores quebrados e estruturas danificadas. Inicialmente, os estragos foram interpretados como vandalismo. A reportagem buscou a prefeitura naquele dia, mas não obteve resposta.
Dias depois, porém, o poder público divulgou nova versão: os danos teriam sido causados pelos fortes ventos que atingiram o município durante o fim de semana — justificativa que, novamente, não encontrou eco na opinião pública, por ser considerada incompatível com a cena encontrada no local.
Em um vídeo gravado no cemitério, os coveiros José Cosme Bispo Costa e Dílson Gomes de Souza reforçaram a narrativa oficial. Eles afirmam que estavam de plantão no sábado, dia 8, quando tudo ocorreu.
“Não teve vandalismo. Já tivemos outros problemas dessa natureza aqui no cemitério. Essa hipótese de vandalismo teve que ser descartada. Essa narrativa foi feita por pessoas que não estavam presentes e, infelizmente, causaram esse mal comunicado”, disse José.
Dílson relatou que filmou o local durante a ventania:
“Eu tenho o horário e a gravação. Não tinha como ser vandalismo, não tinha ninguém aqui”, afirmou.
No vídeo gravado na tarde de sábado, Dílson comenta:
“o vento aqui fez uma desordem, viu? (…) Pegou as cabeceiras que são altas e jogou tudo para cima. Quebrou um bocado de túmulo. Parece que tem uns cinco ou seis quebrados.”
E ao final, fica a pergunta que não quer calar: onde estão as imagens das câmeras de segurança do Parque da Saudade — câmeras estas instaladas inclusive exatamente defronte ao local mais atingido?