A procuradora do estado de Roraima, Rebeca Ramagem, esposa do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), relatou ter sido alvo de um mandado de busca e apreensão determinado por Alexandre de Moraes, ministro do STF — operação que, segundo ela, ocorreu dentro de uma aeronave, no aeroporto do Galeão, na presença de suas duas filhas menores, de 7 e 14 anos.
Segundo Rebeca, todas as malas foram retiradas do voo, revistadas minuciosamente, e seu celular, computadores e outros itens foram apreendidos. Tudo isso apesar de não existir inquérito, processo, acusação formal ou qualquer elemento mínimo que justificasse tratar uma procuradora do Estado como alvo de uma operação clandestina.
A cena é reveladora: um ministro que deveria defender garantias constitucionais, mas que transformou o cargo em instrumento pessoal de intimidação política. A atuação descrita parece menos com a de um guardião da Constituição e mais com a de alguém que se considera autorizado a agir sem limites, sem controle, sem contraditório e sem qualquer necessidade de prestar contas à lei.
Não satisfeito em acumular funções de vítima, investigador, acusador e julgador, Moraes agora avança sobre o papel de fiscal, carcereiro e agente operacional, interferindo diretamente na vida privada de quem sequer figura em processo. O resultado é um cenário de arbítrio explícito, em que a legalidade vira detalhe e a autoridade vale mais que o Direito.
Esse será o ponto de partida do programa Última Análise desta quinta-feira (27). Participam o escritor Francisco Escorsim, o vereador Guilherme Kilter e o editor da Gazeta do Povo, Omar Godoy, debatendo o que já não pode mais ser tratado como episódio isolado, mas sim como mais um capítulo da escalada autoritária que corrói, dia após dia, a credibilidade das instituições brasileiras.